Francisca Martins estabelece novo recorde nacional
A nadadora portuguesa Francisca Martins terminou a final dos 400 metros livres nos Europeus de natação em quarto lugar, com o tempo de 4:06,93, batendo o recorde nacional de 4:07,50 minutos que a própria estabeleceu em julho de 2025.
Francisca Martins vem de uma semana como poucas atletas portuguesas alguma vez viveram numa grande competição internacional. Quatro finais em seis dias . Diversos recordes nacionais restabelecidos. E todos os indicadores de que o melhor ainda está por vir, como a própria já tinha prometido.
Francisca Martins, conhecida no mundo da natação como Kika, nasceu em Felgueiras e nunca saiu de lá — pelo menos de clube. É do FOCA, o clube da cidade, onde foi crescendo e acumulando marcas nacionais com uma regularidade que começou a chamar a atenção bem antes de qualquer Europeu. Em 2022, foi campeã universitária nos 400 metros livres nos Jogos Mundiais Universitários em Berlim, com ouro na distância e prata nos 800 metros. O palco foi crescendo. Os tempos foram baixando .
Em Belgrado, nos Europeus de 2024 , chegou ao pódio pela primeira vez numa grande competição sénior: bronze nos 400 metros livres, com 4:10,94 minutos. Era a segunda medalha de Portugal naqueles Europeus , e a confirmação de que Francisca Martins tinha feito a transição para o nível europeu de topo. A prova foi conquistada pela húngara Ajna Kesely, com 4:06,56 minutos, seguida da checa Barbora Seemanova com a prata. Kika chegou atrás delas, mas chegou. Com 20 anos.
Paris 2026 começou logo no primeiro dia. Na final da estafeta 4×200 metros livres, Francisca Martins abriu a prova e nadou o percurso individual em 1:57,80 — novo recorde nacional dos 200 metros. “Estamos prontas para fazer ainda melhor no futuro “, disse à saída. Dois dias depois, nos 800 metros, entrou na segunda final individual e saiu em oitavo, com 8:41,50 — e voltou à piscina no dia seguinte, de manhã, para as eliminatórias dos 200 livres, onde venceu a série e fez o sétimo tempo geral.
À tarde, nas meias-finais, foi mais longe ainda: 1:57,56, novo recorde nacional , e um empate com a britânica Leah Schlosshan que transformou a qualificação para a final numa incerteza. Havia três cenários em cima da mesa: um swim-off ainda nessa noite, um swim-off na manhã seguinte, ou a disputa da final com nove nadadoras em vez de oito. Foi esta última opção que reuniu consenso. Francisca na pista 0, Schlosshan na pista 8. A checa Barbora Seemanova venceu o ouro com 1:54,38 minutos, a prata foi para a neerlandesa Marrit Steenbergen e o bronze para a britânica Freya Colbert. Francisca terminou em nono, com 1:58,18, abaixo do tempo das meias-finais e atrás de Schlosshan, oitava com 1:57,48. Três finais em quatro dias — estafeta, 800 metros, 200 metros. Não era o resultado que queria, mas o caminho que fez para lá chegar já tinha história suficiente.
“Estou concentrada e preparada para, no domingo, tirar o melhor de mim e mostrar aquilo que valho na minha prova principal”, garantiu. A prova principal eram os 400 metros livres. A prova em que já tinha sido bronze.
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