O legado de Cook vale quatro biliões. Agora, Ternus tem de reinventar a Apple
Ao longo dos 15 anos à frente da Apple, Tim Cook deixou um legado de enorme criação de valor: sob a sua liderança, o valor de mercado da empresa aumentou de cerca de 350 mil milhões de dólares (302 mil milhões de euros) para 4,5 biliões de dólares (cerca de 3,8 biliões de euros), ainda que os produtos da companhia tenham seguido uma trajetória mais evolutiva do que revolucionária.
As ações da Apple valem hoje quase 20 vezes mais do que quando ele assumiu o comando, enquanto o S&P 500 subiu cerca de seis vezes nesse período.
A partir desta terça-feira, 1 de setembro, John Ternus herdará uma empresa mais valiosa do que nunca e a responsabilidade de dar continuidade a esse legado, num momento em que a Apple enfrenta novos desafios para sustentar o crescimento e a inovação.
Os últimos resultados divulgados sob a liderança de Cook deixam uma imagem clara da força do modelo: a Apple registou receitas de 109,4 mil milhões de dólares (94 mil milhões de euros) no terceiro trimestre fiscal, mais 16% em termos homólogos, com um lucro por ação de 2,02 dólares (1,74 euros), mais 29%, e atingiu máximos históricos trimestrais no iPhone, Mac e Serviços.
Numa altura em que os principais concorrentes estão a canalizar recursos sem precedentes para o desenvolvimento de inteligência artificial e para a construção de centros de dados, cresce a pressão para que a empresa volte a acelerar o ritmo de inovação.
É neste contexto que surge uma das principais incógnitas da era pós-Cook: saber se John Ternus manterá a disciplina financeira que marcou a última década ou se inaugurará uma nova fase, com maior aposta em investigação e desenvolvimento, aquisições e novas categorias de produtos.
O analista do Bank of America, Wamsi Mohan, aponta nessa direção e prevê “uma maior disponibilidade para assumir riscos” sob a liderança de Ternus, com “mais investimento em I&D, aquisições de maior dimensão e novas categorias de produtos”, refere num relatório.
Cook soube lidar com as políticas tarifárias do governo Trump, que representavam uma ameaça para a Apple devido à forte dependência da empresa em relação à China para o fabrico dos dispositivos.
“Dando continuidade à liderança visionária de Steve Jobs em produtos, Tim provavelmente será lembrado pela liderança operacional e mais focada nos acionistas”, afirmou Rick Wargo, sócio-gerente da Boyden, empresa de recrutamento de executivos e consultoria de liderança, à “CNBC”.
Quando chegou, a Apple estava perto da falência.
Anos depois, tornou-se um dos principais homens de confiança de Jobs e foi promovido ao cargo de diretor de operações em 2005, dois anos antes do lançamento do iPhone.
Cook continuou a beneficiar da popularidade do iPhone, que manteve a sua posição dominante durante duas décadas num mercado de smartphones em expansão.
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