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Israel nega que IA escolha alvos em Gaza após revelações em documentário

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Israel nega que IA escolha alvos em Gaza após revelações em documentário

A s decisões relativas "à seleção e aprovação de ataques" são tomadas "exclusivamente por pessoal humano, de acordo com as diretrizes das Forças de Defesa de Israel, e não por inteligência artificial", declarou o exército, em comunicado.

Baseado em 24 testemunhos anónimos de membros das próprias forças armadas e dos serviços de informações, o filme israelita "Naza" ("danos colaterais" na gíria militar) aborda a alegada estratégia seguida pelo exército para devastar o enclave palestiniano, com destaque para a componente tecnológica.

No documentário alguns oficiais afirmam que podem vigiar qualquer pessoa com um telemóvel. Outro entrevistado apresenta-se como o criador de um sistema que, utilizando algoritmos e IA, consegue determinar onde as pessoas se estão a concentrar dentro de um edifício.

Também há relatos sobre bombardeamentos que matam mulheres e crianças no caso de um membro do grupo islamita palestiniano Hamas for detetado na mesma área.

Após a estreia do filme na quinta-feira em Veneza, os realizadores, os jornalistas de investigação Yuval Abraham e Rachel Szor, receberam uma ovação de 25 minutos, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

O exército israelita critica o filme por se basear em "testemunhos anónimos de pessoas cuja identidade não pode ser verificada, nem se serviram nas Forças de Defesa de Israel, em que função ou se estiveram envolvidas nos assuntos em causa".

Esta prática não é porém desconhecida no país dada a seriedade e sensibilidade do tema, de acordo com a agência noticiosa espanhola EFE, como é o caso da organização não-governamental israelita de defesa dos direitos humanos Breaking the Silence, formada por ex-militares.

O exército israelita questionou ainda a veracidade dos testemunhos, referindo no comunicado que "incluem afirmações sobre estratégia nacional e militar que excedem claramente o conhecimento dos soldados de baixa patente".

Qualquer soldado que testemunhe uma violação da lei "é obrigado, de acordo com as ordens militares, a denunciá-la para que a necessidade de abrir uma investigação possa ser avaliada", prosseguiu o comunicado, sublinhando que "isto também se aplica às pessoas entrevistadas para o filme".

No entanto, as poucas investigações que o exército israelita abre em casos comprovados de ataques dos seus soldados contra civis na Faixa de Gaza raramente resultam em acusações formais ou condenações.

Os cineastas Yuval Abraham e Rachel Szor dirigiram também, com os palestinianos Basel Adra e Hamdan Ballal, o documentário "No Other Land", vencedor de um Oscar em 2025, sobre o plano israelita de destruição e desalojamento dos habitantes palestinianos de uma aldeia na Cisjordânia.

"Naza" entrou na corrida pelo Leão de Ouro depois de ter sido aceite pelo Festival de Veneza à última hora, apenas uma semana antes do início da cerimónia de entrega dos prémios.

A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que causou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridade

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