Guterres condena "declarações perigosas" de Ben-Gvir
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou, esta quarta-feira, veementemente as “declarações perigosas” do ministro da Segurança israelita, Itamar Ben-Gvir, segundo o qual Israel deveria matar “30 ou 40 pessoas” todas as noites em Gaza.
Ben Gvir propõe matar entre 30 a 40 palestinianos por noite em Gaza: “Nem sequer são pessoas”
“Tais afirmações são consternadoras. São escandalosas. São desumanizantes e perigosas. E nós condenamo-las inequivocamente”, declarou o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, na sua conferência de imprensa diária.
Itamar Ben-Gvir, ministro encarregado da Segurança Nacional no Governo israelita, apelou recentemente para o assassínio de dezenas de pessoas, numa conversa num podcast com uma ex-refém israelita na Faixa de Gaza.
“Acho que deveriam ser realizados assassínios seletivos todas as noites em Gaza. Matem 30 ou 40 deles”, declarou.
“Não apenas aqueles que vos estão a colocar em perigo agora. São pessoas que não deveriam estar vivas”, prosseguiu, acrescentando: “Estou a fazer-lhes um elogio ao classificá-los como seres humanos”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, considerou também esta quarta-feira “insuportáveis e desumanas” tais afirmações, igualmente condenadas pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, que as classificou como “inaceitáveis”.
Figura proeminente da extrema-direita israelita que continua a gerar controvérsia com as suas declarações violentamente anti-árabes, Itamar Ben-Gvir foi já proibido de entrar em França depois da divulgação de um vídeo que mostrava ativistas da “flotilha para Gaza” ajoelhados e com as mãos amarradas.
O cessar-fogo de 10 de outubro de 2025 visava pôr fim a dois anos de guerra israelita na Faixa de Gaza, desencadeada pelo ataque de 7 de outubro de 2023 do movimento islamita palestiniano Hamas a Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
Mas, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, o Exército israelita continuou a abrir fogo sobre civis palestinianos e o número de vítimas não parou de aumentar.
Pelo menos 1.262 palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza desde o início da trégua, segundo as autoridades do enclave palestiniano, cujos números a ONU considera fidedignos.
No total, até agora, a guerra iniciada por Israel no enclave palestiniano fez, pelo menos, 73.381 mortos e 174.231 feridos, além de ter causado uma catástrofe humanitária, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.
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