Estrangeiros são 18,7% de quem compra casa com crédito e apenas 7,7% de quem transfere
Há uma assimetria nos dados de agosto do crédito à habitação intermediado pelo ComparaJá que não aparece em nenhum indicador de preços e que diz alguma coisa sobre como funciona o acesso ao sistema financeiro português.
Nas operações de aquisição, 81,3% dos titulares têm nacionalidade portuguesa.
Nas operações de transferência de crédito, a proporção sobe para 92,3%.
Dito ao contrário: quase um em cada cinco créditos de compra é contratado por alguém que não é português, mas nas renegociações essa proporção cai para menos de um em cada treze.
A primeira leitura possível seria de discriminação no acesso à renegociação, e é provavelmente a errada.
O que separa os dois grupos não é a nacionalidade, é o tempo.
Transferir um crédito exige, antes de tudo, ter um crédito.
E não um crédito qualquer: um crédito com alguns anos, contratado em condições que entretanto se tornaram desfavoráveis, com histórico de pagamento suficiente para outro banco o querer.
O stock de créditos transferíveis em Portugal formou-se sobretudo entre 2022 e 2023.
Quem chegou ao país depois disso não podia estar nesse stock, por razões de calendário e não de mérito.
A consequência é que a poupança associada à renegociação, que foi durante dois anos o principal instrumento de alívio das famílias com crédito à habitação, chegou de forma muito desigual conforme a antiguidade de cada agregado no mercado português.
Quem já cá estava com um crédito caro conseguiu baixar a prestação sem mudar de casa.
Quem chegou depois entrou pela porta da aquisição, a preços de 2025 e 2026, e não tem nada para transferir.
São dois pontos de partida muito diferentes para o mesmo mercado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.