Os bastidores dos números do PISA: "Até hoje, não sei muito bem como é que conseguimos ter tão bons resultados em 2015"
Portugal recuou na leitura, na matemática e nas ciências. De acordo com os resultados do PISA , Portugal perdeu, desde 2018, o equivalente a um ano e meio de aprendizagens. As contas são de Carlos Ceia, professor catedrático na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e um dos nomes maiores da formação de professores em Portugal. É ele quem sublinha que o PISA é um sinal de alerta, mas não conta toda a história da Escola Pública.
Há, diz, políticas de inclusão que deixaram para trás os alunos de excelência, exames pouco exigentes, falta estrutural de professores e uma incapacidade das instituições de ensino superior para formar todos os docentes de que o país precisa.
O docente universitário considera que o exame de Português do 9.º e do 12.º ano está muito abaixo do nível de exigência de outros sistemas educativos e chega a classificá-lo como “uma farsa”. Ao mesmo tempo, recusa soluções fáceis: não é proibindo telemóveis, nem culpando a Inteligência Artificial, que se recupera a aprendizagem. É envolvendo professores, famílias e comunidades escolares e devolvendo à escola a capacidade de exigir, sem deixar ninguém para trás.
Que retrato é este que o PISA faz da Escola Pública Portuguesa e devemos estar preocupados com este retrato?
Devemos estar preocupados com certeza, mas também não quero dramatizar porque o PISA não é o retrato completo de nenhum sistema educativo. O PISA dá-nos indicadores importantes na leitura, na matemática e nas ciências, mas não é, nem de perto nem de longe, o retrato completo dos sistemas educativos. As pessoas podem pensar que estamos numa situação absolutamente dramática em todos os setores de educação e não é disso que se trata. Há aqui indicadores que temos de levar com grande seriedade e preocupação naquelas três competências, mas o PISA deixa de fora muita coisa, deixa de fora a inclusão, o ensino profissional, a educação artística, a educação humanista, a educação física, etc.
Vou focar-me na competência leitura porque ela é transversal e é aquela em que eu me sinto competente para falar. A competência da leitura é transversal e afeta todos os saberes. Mais do que ir à procura de culpas passadas, que é uma discussão para a qual eu confesso que não tenho muita paciência e estou à vontade nisso porque eu acompanho as nossas renovações e reestruturações curriculares há 30 anos - e participei até de algumas – e, portanto, eu conheço muito bem o que aconteceu em Portugal nos últimos 30 anos, com os diferentes governos e com os diferentes Ministros de Educação.
Mas deixo para os políticos o estar à procura de quem é que é o culpado principal disto ou daquilo.
É verdade. Mas aqui o importante é o diagnóstico, o que é que está errado e o que é que podemos fazer para melhorar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.