"Membro associado": Comissão Europeia explica o que significa a aproximação inédita com o Canadá depois de Trump ameaçar aumentar tarifas
“Membro associado” . A expressão surgiu pela voz de Ursula von der Leyen, que, em pleno Parlamento Europeu, lançou ao Canadá o convite para uma nova forma de parceria. A proposta, que já levantou várias questões sobretudo vindas dos EUA, foi esta sexta-feira explicada pela Comissão Europeia.
Segundo a instituição, a relação entre a UE e o Canadá já é “excecionalmente ampla e profunda”, assente no Acordo de Parceria Estratégica e no CETA. O Canadá é também o primeiro país não europeu a participar no instrumento SAFE, refletindo a ambição partilhada de aprofundar os laços nas áreas da segurança e da defesa.
A proposta apresentada por Von der Leyen pretende levar a relação entre os dois parceiros “ao mais elevado nível possível”, abrindo a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE. A Comissão Europeia indicou que trabalhará em estreita coordenação com os Estados-membros e o Parlamento Europeu para criar uma nova forma de parceria, com “a forma mais próxima imaginável de associação” com um parceiro fora da Europa.
Este novo modelo poderá abranger várias áreas. Entre elas estão a passagem do CETA para uma “Aliança para o Futuro”, criando "um espaço comum de prosperidade e segurança económica", a criação "de uma aliança tecnológica", a "integração das bases industriais de defesa" e a "transformação do Ártico num projeto conjunto emblemático".
A cooperação poderá ainda incluir energia, minerais críticos e baterias, inteligência artificial, computação quântica, cibersegurança e segurança económica. A Comissão Europeia indicou que pretende desenvolver um espaço partilhado de prosperidade, crescimento e segurança económica, com estruturas que permitam uma ação conjunta perante os desafios atuais.
A cimeira UE-Canadá, prevista para o final de outubro, será, segundo a comissão, a primeira oportunidade para aprofundar estas questões, com o objetivo comum de desenvolver esta agenda de parceria.
A explicação surge depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado aplicar tarifas adicionais “muito pesadas” à União Europeia caso o bloco avançasse com a admissão do Canadá como membro associado.
Trump acrescentou que a resposta de Washington dependeria da “intenção” dos líderes europeus. “Se for uma boa intenção, tudo bem. Se for uma má intenção, imporemos tarifas muito pesadas à Europa”, afirmou.
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