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Empresas chinesas investem 80 mil milhões de euros para expandir produção de baterias no estrangeiro

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Empresas chinesas investem 80 mil milhões de euros para expandir produção de baterias no estrangeiro

Os fabricantes chineses de baterias anunciaram investimentos de quase 90 mil milhões de dólares (80 mil milhões de euros) no estrangeiro desde 2023, para contornar barreiras protecionistas e consolidar o domínio das cadeias de abastecimento mundiais.

Segundo o jornal britânico Financial Times (FT), empresas como a CATL, BYD, Gotion, Sungrow e CALB – que está a desenvolver um projeto de cerca de dois mil milhões de euros para construir uma fábrica de baterias em Sines – estão a acelerar a criação de cadeias de produção fora da China, perante o reforço das medidas de proteção comercial e das exigências de produção local nos mercados ocidentais.

De acordo com dados da consultora australiana Climate Energy Finance, as empresas chinesas anunciaram este ano investimentos de 12 mil milhões de dólares (10,6 mil milhões de euros), distribuídos por 14 projetos no estrangeiro.

Desde 2023, os investimentos acumulados aproximam-se dos 90 mil milhões de dólares (80 mil milhões de euros), dos quais 52 mil milhões de dólares (46,3 mil milhões de euros) destinados ao fabrico de células de baterias e 38 mil milhões de dólares (33,8 mil milhões de euros) à produção de materiais.

A Europa é um dos principais destinos, com investimentos anunciados de 31,5 mil milhões de dólares (28 mil milhões de euros) desde 2023, apenas atrás do Sudeste Asiático, que atraiu 35,2 mil milhões de dólares (31,3 mil milhões de euros).

No final de setembro, a fabricante chinesa Gotion anunciou um investimento superior a mil milhões de euros numa parceria com a alemã Volkswagen para produzir baterias em Espanha, na Eslováquia e em Marrocos.

A expansão internacional surge depois de uma década de investimentos maciços na China, que permitiram aos fabricantes nacionais aumentar a escala de produção e aperfeiçoar as tecnologias industriais.

Segundo o FT, estas empresas conseguem construir na China uma gigafábrica de baterias por cerca de um terço do custo e em apenas um terço do tempo necessário para erguer uma instalação equivalente na Europa.

Apesar destas vantagens, os fabricantes chineses consideram que a tendência mundial para o protecionismo e a localização da produção poderá ser duradoura.

“Independentemente do que a regulamentação exigir, a CATL tem de localizar a produção dos principais componentes”, afirmou Zhu Lingbo, diretor de tecnologia da divisão internacional da empresa, numa entrevista ao FT.

A CATL, maior fabricante mundial de baterias, está a procurar novos locais para instalar fábricas e a negociar com governos europeus, depois de ter estabelecido unidades de produção na Alemanha, Hungria e Espanha.

Bruxelas pretende que a União Europeia disponha de uma cadeia de abastecimento de baterias integralmente localizada no bloco até ao final da década.

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