Em ‘As Linhas que Traçam o Meu Corpo’, Mansoureh volta à juventude em Teerão para libertar “o corpo e a mente”
Mansoureh Kamari tinha 9 anos quando percebeu que enquanto mulher nunca seria tratada da mesma forma que os irmãos.
Naquele dia, em que passou a ser legalmente considerada adulta, um véu veio cobrir os cabelos da mais nova de seis filhos de uma família da classe média iraniana.
E tudo mudou.
Passadas mais de três décadas, a desenhadora iraniana volta a este episódio no seu primeiro álbum de banda desenhada As Linhas que Traçam o Meu Corpo .
Uma obra de estreia onde a iraniana, exilada em França desde 2011, conta a juventude no seu país de origem, sob o regime dos ayatollahs , e depois a fuga com o marido e a nova vida em Paris, longe de um regime fundamentalista religioso.
Numa conversa por Zoom com o DN antes da sua vinda ao Amadora BD (que decorre de 15 a 25 de outubro), Mansoureh admite que o que a levou a avançar para esta primeira obra foi “mais uma questão de controlo sobre a minha mente do que sobre o meu corpo”.
Por isso escolheu contar a sua própria história.
“Tinha uma paixão por contar histórias.
Mas depois fiquei com muitas inseguranças e então percebi que uma forma de ultrapassar essas inseguranças talvez fosse começar por mim mesmo, para tentar perceber porque sentia tanto medo”.
E voltando àquele momento em que uma menina de 9 anos percebeu que não era igual aos irmãos, Mansoureh, hoje com 42, explica: “Foi a primeira vez que senti a diferença.
Sabia que ia a escolas diferentes dos meus irmãos, mas a partir daquele dia tinha de cobrir a cabeça.
Precisava de cobrir o corpo.
Foi como se fosse o primeiro passo para perceber que enquanto mulher não ocupava o mesmo lugar” .
E admite: “Provavelmente devia ter percebido isso através da minha mãe.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.