Jovem pediu ajuda antes de matar mãe e Estado ignorou: "Ninguém fez nada"
O jovem de 15 anos que matou a mãe em Algés, na semana passada, fez diversos pedidos de ajuda às autoridades portuguesas. Acreditava que estava melhor - assim como a irmã de 4 anos - longe da progenitora. Institucionalizado, tal era o desespero.
Em dois anos, foram diversos os episódios violentos, as chamadas para as autoridades, as ocorrências que envolvem o casal e os dois filhos. Mas nenhuma foi suficiente para por fim à violência enraizada no seio desta família.
Hoje, o Correio da Manhã revela mais um dado dramático. Cerca de 15 dias antes do homicídio, o adolescente dirigiu-se a um posto policial e tentou apresentar queixa contra a mãe. Mostrou vídeos, imagens da violência que ocorria entre quatro paredes, mas a queixa foi rejeitada. Tinha de estar acompanhado por um adulto, por ser menor. E mandaram ligar depois, durante a hora de expediente.
Como é possível ouvir no aúdio divulgado pelo matutino, gravado, alegadamente no final de julho, perante a impossibilidade de apresentar queixa e falta de respostas às suas denúncias, o jovem lamenta: "os vídeos que eu tenho são de ameaças de morte. E, até agora, ninguém fez nada".
O agente que o atende rebate: "Mas lá está, é o que os meus colegas disseram. O Ministério Público (MP) já teve acesso a esses vídeos. O que o senhor pode fazer é ligar amanhã entre as 9h30 e as 17h, mais coisa menos coisa [...]. 17h não, 17h já é muito tarde. Até às 16h, 15h30".
Acrescenta o Correio da Manhã que, além deste contacto, dias antes do crime, no dia 5 de agosto, o menor foi ouvido, em conjunto com a mãe, Gabriela Barbosa, de 32 anos, pela assistente social. Nesse encontro foi-lhe assegurado que ia ser institucionalizado. Mas até ao dia do homicídio, nada aconteceu.
Tanto o jovem como a irmã mantiveram-se na companhia da progenitora até à madrugada de quarta-feira, 12 de agosto, dia em que, com um 'mata-leão' - golpe de estrangulamento e imobilização usado em artes marciais - a matou.
Foi o próprio adolescente que, já na quinta-feira, várias horas depois do homicídio, ligou às autoridades a dar conta do sucedido.
Disse à polícia que o fez para proteger a irmã, mas terá ficado em silêncio quando foi ouvido no Tribunal de Menores. O juiz determinou que ficaria em internamento em regime fechado durante os próximos três meses, uma medida que será reavaliada dentro de dois meses.
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