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Piratas da Somália voltam com a guerra no Irão

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Piratas da Somália voltam com a guerra no Irão

O alerta chegou por rádio esta quinta-feira: um cargueiro ao largo do Iémen estava a ser abordado por um veículo não autorizado. Horas mais tarde, a United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), organização de monitorização ligada à Marinha britânica, atualizava a informação: seis pessoas armadas tinham entrado no navio, que desviaram para a Somália.

A pirataria ao largo da Somália foi, durante a década de 2000, um dos maiores desafios à segurança marítima. Contudo, a ação concertada da comunidade internacional pareceu, desde 2012, pôr um ponto final ao problema.

“É como um vulcão. Eles só estavam à espera da oportunidade certa. Estava meramente inativo”, realça, contudo, Anja Shortland, professora de economia política da King’s College e antiga consultora do Banco Mundial para a pirataria na Somália, ao Observador. O incidente desta quinta-feira não foi isolado. Na passada segunda-feira, o UKMTO já tinha dado conta de um petroleiro abordado por oito pessoas armadas na Somália — e este era já o quinto registo de um ato de pirataria na região desde abril.

Olhando para os últimos seis meses, é fácil identificar uma transformação evidente no contexto geopolítico que contribuiu para a destabilização regional: a guerra no Irão . Mais especificamente, o bloqueio do Estreito de Ormuz e, mais recentemente , do Estreito de Bab al-Mandeb no Mar Vermelho e a distribuição das forças ocidentais, em particular das forças norte-americanas, para fazer frente ao conflito militar, mas também às consequências que esta teve no fluxo global de comércio.

Ainda assim, é redutor olhar para a guerra no Irão como justificação única para a recente reemergência da pirataria na Somália. Desde o final de 2023 que os grupos armados da Somália davam sinais de um regresso ao mar — e os especialistas alertavam para o regresso. O contexto regional pode ter proporcionado a “oportunidade certa” de que fala Anja Shortland, mas as raízes mais profundas do problema crescem em terra e nunca foram enfrentadas de forma suficientemente eficaz.

“O problema da pirataria foi resolvido no mar, com a mudança de lei que permitiu aos donos dos navios trazer guardas armados a bordo. E, efetivamente, isso travou o apetite por políticas para resolver o problema em terra”, lamenta a professora. Menos de duas décadas depois do seu pico, o problema continua a não estar perto de atingir novamente essa dimensão. Mas as previsões dos especialistas para uma solução a longo prazo não são particularmente otimistas.

Regressemos a 2011. Foi nesse ano que se registou o número mais alto de ataques de piratas somali: foram 237 incidentes . Uma estimativa do Banco Mundial relativa ao ano anterior dava conta de perdas de 18 mil milhões de dólares para a economia mundial. Isto incluía o aumento do preço dos prémios de seguro, de destacamentos navais, de adoção de novas rotas marítimas, mais prolongadas, e ainda do pagamento de resgates.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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