Costa, Lula, Ruto e Carney querem reformar a ONU
António Costa, Lula da Silva, William Ruto e Mark Carney anunciaram uma iniciativa para reformar a ONU e outras instituições multilaterais, num artigo de opinião conjunto publicado no Financial Times (acesso pago, em inglês).
O presidente do Conselho Europeu, os presidentes brasileiro e queniano e o primeiro-ministro canadiano defendem instituições mais representativas e eficazes.
Designada “ Partners for Multilateralism ” (P4M), a iniciativa pretende formar coligações entre países de diferentes regiões e tradições políticas para concretizar essas reformas.
Os promotores propõem uma estrutura flexível e aberta, capaz de reunir governos que divergem em várias matérias, mas partilham os princípios da Carta das Nações Unidas.
Entre as prioridades estão a melhoria da governação económica mundial, uma maior articulação entre organizações regionais e respostas comuns à inteligência artificial, às alterações climáticas e à segurança sanitária.
Os quatro responsáveis sustentam que estes desafios, tal como os choques financeiros e as perturbações das cadeias de abastecimento, ultrapassam a capacidade de resposta isolada de qualquer país.
Para justificar a iniciativa, os autores contrapõem a crescente integração económica ao agravamento das tensões geopolíticas.
Segundo os números apresentados no artigo, o comércio mundial atingiu 35 biliões de dólares em 2025 e a despesa militar chegou a 2,9 biliões.
No mesmo ano, registaram-se 65 conflitos armados envolvendo Estados, distribuídos por 35 países, o maior número de conflitos desde 1946.
Os signatários apresentam como inegociáveis a igualdade soberana dos Estados, a integridade territorial, a resolução pacífica de disputas e a proibição da ameaça ou do uso da força, a par dos direitos humanos e das liberdades fundamentais.
O apelo à adesão de outros líderes surge na semana em que os dirigentes mundiais se reúnem em Nova Iorque para a Assembleia Geral da ONU.
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