Sánchez pede para ser ouvido no Congresso sobre gestão da crise em Ceuta
A data proposta por Pedro Sánchez para abordar "os acontecimentos ocorridos em Ceuta desde o passado dia 30 de julho", quando perto de 80.000 migrantes entraram no enclave espanhol no continente africano, coincide com a primeira sessão plenária do período ordinário de sessões do Congresso.
Ao solicitar formalmente a comparência, o chefe de Governo antecipa-se assim às iniciativas do principal partido da oposição, o Partido Popular (PP), já que esta tarde a comissão permanente do Congresso vai debater a proposta dos conservadores para que Sánchez seja convocado com caráter de urgência para uma sessão plenária, para prestar esclarecimentos sobre a crise migratória em Ceuta.
O PP quer ainda que sejam convocados mais 10 ministros do executivo socialista, entre os quais os oito que já têm agendada a comparência para prestar esclarecimentos numa comissão da Câmara Baixa.
Na terça-feira já arrancou a série de audições a membros do executivo no Congresso, com a comparência da ministra da Defesa, Margarita Robles, tendo no mesmo dia a ministra da Inclusão, Segurança Social e Migrações e porta-voz do Governo, Elma Saiz, assegurado que, "obviamente", o primeiro-ministro também ia comparecer perante os parlamentares para prestar esclarecimentos sobre a gestão da crise migratória de Ceuta.
Também hoje, foi publicado em Boletim Oficial do Estado o decreto real aprovado na véspera em Conselho de Ministros que declara a "situação de interesse para a segurança nacional na cidade de Ceuta", com a execução de um comando único e um comité de crise, que vai estar em vigor, em princípio, até 31 de dezembro.
O comando único da gestão da crise será liderado pelo ministro da Política Territorial e da Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, através de um órgão que coordenará 11 Ministérios com a cidade autónoma.
O decreto aponta que o prazo de 31 dezembro é "razoável para a consecução dos objetivos descritos", embora estejam também previstos mecanismos para o prolongamento ou para o fim antecipado, em função "da evolução dos acontecimentos".
O texto publicado em Boletim Oficial precisa que caberá ao chefe de Governo decidir um eventual prolongamento, o fim ou "a alteração do âmbito material ou geográfico" da "situação de interesse para a Segurança Nacional", com base nos relatórios do Conselho de Segurança Nacional espanhol.
A crise migratória em Ceuta ocorreu quando, entre 30 e 31 de julho, num período de 24 horas, perto de 80.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola, situada no norte de África, num período de 24 horas.
A grande maioria dos migrantes que alcançaram o território a nado já regressaram a Marrocos, estimando as autoridades espanholas que permaneçam no enclave espanhol entre três mil e cinco mil migrantes, incluindo muitos menores não acompanhados.
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