Ex-presidente libanês apresenta queixa após notícias sobre explosão em Beirute
"E stamos perante um grave prejuízo para o bom funcionamento da justiça, uma tentativa de distorcer os factos, ocultar os verdadeiros responsáveis e fabricar uma condenação mediática à margem do poder judicial", refere a queixa apresentada pelo advogado de Aoun, Wadih Aql, e divulgada pela agência estatal libanesa NNA.
Na terça-feira, foi divulgado que a procuradoria tinha solicitado ao juiz Tarek Bitar, responsável pela investigação, que iniciasse procedimentos legais contra o antigo chefe de Estado por alegadamente ter conhecimento prévio da presença de nitrato de amónio no porto e dos riscos associados.
A defesa de Aoun, que exerceu a Presidência entre 2016 e 2022, considerou que a divulgação de informações relacionadas com a investigação pretende "desviar a atenção dos libaneses da sua realidade e da sua trágica situação social, económica e nacional".
O advogado classificou as informações divulgadas como "boatos" e sustentou que a sua publicação, sob o pretexto de "fugas judiciais" provenientes do relatório da Procuradoria-Geral, "não constitui um trabalho jornalístico legítimo".
Segundo a defesa, a queixa "não se antecipa ao veredicto judicial", mas pretende impedir "que a fuga se transforme em sentença, que o boato se converta numa decisão presumida e que a desinformação se erija como uma suposta verdade imposta à opinião pública".
O advogado defendeu ainda o percurso do antigo Presidente e general, de 92 anos, afirmando que Aoun "dedicou a sua vida" à defesa do Líbano e da sua soberania e que, após a explosão, procurou garantir a descoberta da verdade e a responsabilização dos culpados.
A explosão de 04 de agosto de 2020 foi provocada por cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio armazenadas durante anos no porto de Beirute sem as necessárias condições de segurança.
A deflagração matou mais de 200 pessoas, provocou cerca de 7.000 feridos e devastou extensas áreas da capital libanesa.
A investigação tem sido marcada por sucessivas disputas políticas e judiciais e esteve paralisada durante vários anos, antes de Bitar retomar o processo.
O magistrado chegou a intimar várias figuras políticas e judiciais, incluindo o antigo primeiro-ministro Hassan Diab e o ex-procurador Ghassan Oueidat, no âmbito de uma investigação que procura determinar responsabilidades pela presença e armazenamento do nitrato de amónio e pela ausência de medidas para evitar a tragédia.
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