O que uma travessia extrema ensina sobre liderança
Em junho de 2023, João Pombinho tornou-se o primeiro português a completar a Race Across America a solo – a travessia dos Estados Unidos de bicicleta, de costa a costa, com o relógio a correr desde a partida até à meta.
Onze dias, vinte horas e trinta e oito minutos.
Desta aventura nasceu o livro “Race Across a Mind”, que será apresentado dia 24 de setembro na Biblioteca de Alcântara.
Qual foi o maior desafio mental que enfrentou durante a Race Across America e como conseguiu ultrapassá-lo? Toda a gente espera que o mais duro seja o calor do deserto ou a montanha, mas não foi — quando se luta contra alguma coisa, a cabeça está ocupada.
O desafio é ocupá-la durante o resto do tempo e variar aquilo com que se ocupa.
É neurologicamente exigente ligar, desligar, mudar de canal — montar a playlist que faz passar 18 a 20 horas diárias.
No Kansas chegam a ser centenas de quilómetros de linha reta sem uma subida que quebre o dia, com vento sempre de frente e o sono já a cobrar.
Não há adversário visível.
É aí que partes da nossa consciência começam a procurar razões para parar.
Por vezes era pensar no trabalho e em formas criativas de resolver os desafios que tinha em mãos há meses.
Por vezes era voltar a momentos da infância no Alentejo, com o cheiro do restolho queimado e o calor a subir do alcatrão.
Noutros momentos difíceis eram outras provas e travessias, em que a memória não me dava um filme — dava-me o corpo de volta a um sítio onde eu já tinha estado e aguentado.
E, muitas vezes por dia, as pessoas, amigos e família, que dali se contemplam com um distanciamento raro.
Durante uma experiência tão extrema, como se gere o medo, o cansaço e os momentos em que a vontade de desistir aparece? Eu tinha três medos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.