Maria Luís Albuquerque rejeita pedido dos bancos para dividir reforma financeira europeia em duas
A Comissária Europeia dos Serviços Financeiros, Maria Luís Albuquerque, rejeitou o apelo dos grandes bancos europeus para que o pacote de reformas destinado a reforçar o sistema financeiro da União Europeia (UE) seja dividido em duas fases, defendendo que as medidas devem ser tratadas em conjunto.
Numa entrevista à Bloomberg TV, a Maria Luís Albuquerque afirmou que a Europa estará melhor servida se avançar com um único pacote de reformas, que deverá permitir reduzir a burocracia, eliminar barreiras às operações transfronteiriças e simplificar algumas regras aplicáveis ao setor financeiro.
“Se queremos realmente fazer algo significativo, temos de olhar para isto como um pacote, porque tudo está interligado”, afirmou a Comissária.
“Precisamos de resolver os verdadeiros problemas que nos estão a travar, e esses problemas resultam sobretudo da fragmentação, do facto de continuarmos a ter um debate entre países de origem e países de acolhimento”, acrescentou.
A posição da Comissária Europeia dos Serviços Financeiros surge depois de 11 líderes de alguns dos maiores bancos da UE, do Reino Unido e da Suíça terem apelado, na semana passada, às instituições europeias para que deem prioridade, no curto prazo, às reformas de “simplificação” regulatória e concedam mais tempo para discutir matérias consideradas mais complexas, como a criação de um sistema europeu de garantia de depósitos.
A carta assinada por 11 líderes dos maiores bancos europeus é um apelo a um travão nos requisitos de capitais e um compromisso com a simplificação regulatória.
O apelo foi liderado por Ana Botín, presidente executiva do Santander, e enquadra-se no debate sobre a necessidade de reforçar a competitividade do setor financeiro europeu face aos Estados Unidos e ao Reino Unido.
A Comissária Europeia rejeitou, no entanto, a ideia de que a simplificação deva ser separada das restantes reformas.
“Isto não é para benefício dos bancos.
É para benefício da economia da UE”, afirmou.
“Por isso, entendemos que precisamos de resolver os problemas onde efetivamente os identificámos, e esses problemas não resultam sobretudo das atuais regras de capital.
Embora também estejamos a abordar essas regras e a torná-las mais simples”, acrescentou.
A discussão ocorre num contexto de crescente pressão sobre a banca europeia para aumentar o financiamento à economia e melhorar a sua capacidade de competir internacionalmente.
Os bancos têm defendido que a fragmentação do mercado europeu e a complexidade regulatória limitam a expansão transfronteiriça e dificultam a criação de instituições financeiras de maior escala.
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