Dívida dos EUA sob pressão: yields voltam a subir e Schroders coloca Washington em “corrida às cegas”
As pressões em alta sobre os rendimentos das obrigações do Tesouro dos EUA intensificaram-se esta terça-feira.
A yield do Treasury a 10 anos voltou a escalar, a negociar entre os 4,96% e os 5,08% (uma subida de 11,86 pontos base) – o segundo nível mais alto de 2026 e perto de máximos de quase 20 anos – num movimento alimentado pela subida do petróleo acima dos 100 dólares e por receios renovados de inflação.
Um salto que, segundo os dados de mercado, chegou a ser de mais de 13 pontos base num só dia, pressionando Wall Street.
O movimento, embora para já ordenado, acende o alerta: poderá evoluir para um ajustamento mais desordenado e provocar disrupções severas nos mercados financeiros globais? É essa a pergunta a que a Schroders tenta responder.
Num relatório assinado por Abdallah Guezour, Head de Dívida e Commodities de Mercados Emergentes, a gestora aplicou aos Estados Unidos o mesmo modelo que utiliza há 26 anos para detetar sinais precoces de crise da dívida nos mercados emergentes: o seu “Modelo de Vulnerabilidade dos Países”.
A conclusão é incisiva: os EUA têm uma pontuação global de vulnerabilidade de -1, numa escala que vai de -12 (vulnerabilidade máxima) a +12.
Isto coloca o país claramente na fase de “corrida às cegas” (blind run) do ciclo macroeconómico – ainda fora da zona de perigo, historicamente situada entre -2 e -4, mas já em deterioração rápida.
O modelo avalia seis fatores de alerta precoce.
O primeiro as dinâmicas de crescimento em “desequilíbrio”.
Ao contrário da maioria dos emergentes, que estão em fase de ajustamento ou equilíbrio, o crescimento americano continua forte, mas cada vez mais dependente da rápida acumulação de défices gémeos (orçamental e externo).
A Schroders alerta que qualquer abrandamento do crescimento nominal superior a 1,5 pontos percentuais seria particularmente preocupante para a sustentabilidade desses défices.
Em segundo lugar a liquidez externa soberana que tem uma pontuação baixa.
Os EUA registam necessidades de financiamento externo consideráveis, o que aumenta a vulnerabilidade a um aperto de liquidez.
Depois a dependência de “hot money” que está no extremo inferior da escala.
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