MSF critica Israel por arquivar casos de 4 trabalhadores mortos em Gaza
Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) condenaram a decisão da Procuradoria Militar de Israel de arquivar, sem instaurar inquérito criminal, os casos apresentados pela organização não-governamental (ONG) sobre as mortes de quatro funcionários seus em Gaza.
"Isto não é justiça, é o resultado previsível de um aparelho militar que se investiga a si próprio", sublinhou a MSF em comunicado na quinta-feira, onde denunciou ainda o que o sistema judicial israelita não oferece "qualquer perspetiva de responsabilização" pelas mortes dos seus colegas mortos em 2023 e 2024.
Dois funcionários da MSF morreram em novembro de 2023 quando circulavam numa caravana na Cidade de Gaza (centro da Faixa de Gaza) e outros dois num ataque a um abrigo da ONG em Khan Younis (sul de Gaza) em fevereiro de 2024.
Segundo o exército israelita, no segundo caso, as suas tropas dispararam contra um edifício que consideravam uma ameaça, sem terem "informações atualizadas que indicassem que pertencia à MSF".
Em relação à caravana, o exército alegou que os militares dispararam "tiros de aviso" em resposta a um movimento descoordenado e que as mortes poderiam ter ocorrido devido a "brechas", sem que tenha havido qualquer disparo direto contra os veículos.
Apesar de se reconhecerem "mortes trágicas" ou ações das tropas sem informação adequada, em nenhum dos casos foi aberta uma investigação criminal.
A MSF observou que a decisão foi tomada quase dois anos após o seu pedido e na sequência de um recurso para o Supremo Tribunal de Justiça de Israel, devido à falta de resposta da Procuradoria Militar.
Estas decisões estão entre as cinco primeiras adotadas pela Procuradoria Militar em relação a cerca de 150 incidentes examinados pelo mecanismo de investigação do Estado-Maior.
Entre estes está o caso de Hind Rajab, uma menina palestiniana de cinco anos cuja morte, juntamente com a da sua família em janeiro de 2024, foi atribuída a disparos israelitas.
"O exército está a tentar justificar a sua posição, alegando que o que aconteceu foi um erro e que os soldados responsáveis serão processados", disse a avó, que também se chama Hind Rajab, à AFP a partir da sua casa na Cidade de Gaza.
A guerra no enclave palestiniano foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
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