Restaurar a natureza requer mais investimento do Estado português
A dimensão das populações de vida selvagem monitorizadas teve uma diminuição média de 73% desde 1970, segundo o Relatório Planeta Vivo 2026 da WWF.
Num mundo em que cerca de metade do PIB global, aproximadamente 58 biliões de dólares americanos em 2023, depende moderada ou fortemente da natureza, a perda de biodiversidade representa muito mais do que uma ameaça ambiental: é um risco económico e social crescente.
Os fluxos financeiros globais continuam, porém, a ignorar o problema.
Em 2023, cerca de 7,3 biliões de dólares americanos foram canalizados para atividades prejudiciais à natureza, enquanto apenas 220 mil milhões financiaram a sua proteção ou restauro.
Ainda assim, há sinais concretos de que é possível inverter esta tendência.
Em Portugal, o lince-ibérico passou de Criticamente em Perigo a Vulnerável.
Também a sardinha recuperou a certificação em julho desse ano e o atum-rabilho deixou de ser considerado sobre explorado.
Estes exemplos mostram que, com compromisso, investimento e uma gestão adequada dos recursos, a recuperação da natureza é possível.
É esta convicção que está na origem da D-EVOLUÇÃO, a iniciativa nacional de restauro ecológico da WWF Portugal, que assinala esta semana o seu primeiro aniversário.
Ao longo deste primeiro ano, foram mobilizados cerca de 482 mil euros, com o contributo de vários parceiros, empresas e cidadãos.
Este apoio já se traduz em intervenções concretas no território: no Gerês, estão em recuperação 46 hectares de floresta e habitats afetados por incêndios; na serra do Caldeirão, prepara-se o restauro dos primeiros 19 ha de montado; e, no Estuário do Tejo, foram instalados nove abrigos subaquáticos para cavalos-marinhos, construídos a partir de carrinhos de supermercado reaproveitados, num exemplo de economia circular ao serviço da biodiversidade, enquanto se consolida um esforço conjunto e de longo prazo para a recuperação plena do seu ecossistema.
Mais do que reparar ecossistemas degradados, estas intervenções são um investimento na resiliência do país e na redução de riscos, nomeadamente de incêndio.
Os benefícios ambientais traduzem-se, assim, em ganhos económicos e sociais concretos.
Como já reforçámos noutros artigos, segundo a Comissão Europeia, cada euro investido no restauro da natureza pode gerar entre 8 e 38 euros em serviços de ecossistema.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.