China desperdiça tanta energia renovável que poderia alimentar Portugal durante 7 anos
A China tornou-se uma potência quase incomparável na produção de energia renovável. Contudo, está também a enfrentar um problema gigantesco: produz tanta eletricidade limpa que a sua rede não consegue aproveitá-la toda.
Só nos primeiros seis meses de 2026, terão sido desperdiçados cerca de 360 TWh de eletricidade limpa . É uma quantidade suficiente para alimentar Portugal durante quase sete anos.
O crescimento da energia solar e eólica chinesa tem sido extraordinário, mas a expansão da rede elétrica, das interligações e da capacidade de armazenamento não está a acompanhar o mesmo ritmo.
Segundo dados citados pela Reuters , entre janeiro e junho de 2026 a China terá desperdiçado cerca de 360 TWh de eletricidade limpa através do chamado "curtailment".
O curtailment, no contexto da energia, é a redução ou interrupção deliberada da produção de eletricidade que poderia estar a ser gerada, normalmente porque a rede não consegue absorvê-la naquele momento.
Na prática, estamos perante eletricidade que poderia ser produzida, porque existe sol, vento e capacidade instalada disponível, mas que não chega a ser aproveitada pelo sistema elétrico .
Isso acontece quando a rede não consegue transportar toda a energia produzida , não existe consumo suficiente naquele momento ou faltam sistemas de armazenamento capazes de guardar o excedente.
Para perceber a dimensão destes números, basta compará-los com Portugal.
Segundo a REN, em 2025 o consumo de eletricidade abastecido pela rede pública portuguesa atingiu 53,1 TWh , o valor anual mais elevado de sempre no Sistema Elétrico Nacional.
Assim, os cerca de 360 TWh de eletricidade limpa que a China terá desperdiçado em apenas seis meses equivalem a:
Ou seja, a eletricidade limpa que a China não conseguiu aproveitar durante apenas metade de 2026 seria suficiente para satisfazer praticamente sete anos do atual consumo elétrico de Portugal .
E a comparação torna-se ainda mais impressionante se considerarmos que Portugal registou precisamente em 2025 o maior consumo elétrico anual da sua história.
O problema está sobretudo na enorme diferença entre os locais onde a eletricidade é produzida e aqueles onde é consumida .
Grande parte dos gigantescos parques solares e eólicos chineses está instalada nas regiões ocidentais e no norte do país, onde existe território disponível e excelentes condições para produção renovável. Contudo, os grandes centros populacionais e industriais encontram-se sobretudo no leste .
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