Lisboa. Organização da marcha dos imigrantes lamenta políticos ausentes
P romovido entre pela Academia de Produtores Culturais e pela Câmara Municipal de Lisboa, o Festival Todos - Caminhada de Culturas, que se realiza há 18 anos, decorre desde quinta-feira com várias atividades culturais e gastronómicas, e teve hoje o seu ponto alto com uma marcha entre o Mercado do Forno do Tijolo e o Largo do Intendente Pina Manique.
Ao som de tambores e ao ritmo da música de vários países, a marcha do Todos juntou vários imigrantes, desde músicos, atores, bailarinos de mais de 30 associações e coletividades de várias nacionalidades para partilhar tradições e manifestações culturais.
A organização manifestou interesse e apelou à participação de políticos na marcha, como o Presidente da República e o presidente da Câmara de Lisboa, mas, como afirmou à Lusa Miguel Abreu, fundador e diretor do festival, "não vem ninguém nos últimos anos".
"Os políticos não têm participado nestas marchas. Por um lado, pode significar desinteresse, por outro lado, este é um tema cada vez mais quente e difícil, há muita oposição aos imigrantes", disse, acrescentando que tanto os políticos, como as grandes marcas comerciais, "estão num ponto de indefinição".
Miguel Abreu salientou que "não são contra o projeto, mas também não se querem comprometer muito com ele".
"A maioria, se calhar, ou grande parte da população, também está muito na dúvida sobre estas questões. Portanto, é preciso pôr isto na agenda, não ter medo de afrontar as coisas boas e as coisas más que vêm destas relações. Agora, não é tudo mau, há muita coisa boa. Nós lutamos por mostrar as partes boas", frisou.
O responsável destacou que todo o festival e marcha são feitos com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa.
O Festival Todos surgiu em 2009, quando António Costa era presidente da Câmara Municipal de Lisboa e questionado se existe pela atual presidência da autarquia um desinteresse e desinvestimento neste tipo de iniciativas, Miguel Abreu respondeu: "Desinteresse presencial, sim. Desinvestimento económico, sim. Mas, ao mesmo tempo, continuam a apoiar o projeto. Investem menos, estão menos presentes, mas não se retiraram completamente".
O responsável contou que a marcha começou há três anos e pretende juntar as pessoas das diferentes comunidades que vivem em Lisboa para desfilarem juntas, destacando comunidades como da Índia, Bangladesh, Nepal, China, França, Alemanha, Brasil, Colômbia, Argentina e Peru.
"Significa que o Todos para estas pessoas já tem um significado importante. Elas querem desfilar em Lisboa, são famílias muito integradas, têm as suas associações, música, dança, teatro, circo, e querem agradecer a Lisboa o facto de aqui viverem. É uma marcha de celebração, não é uma marcha de protesto, é o contrário.
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