«Dá uma oportunidade ao miúdo»: o inesquecível FC Porto-PSV de Domingos Paciência
O FC Porto recebe o PSV na terceira jornada da fase liga da Champions – o quinto duelo oficial entre portistas e neerlandeses. Se o Dragão recebe o tricampeão dos Países Baixos nesta terça-feira (20h), o Estádio das Antas recebeu os campeões europeus a 9 de novembro de 1988, na segunda ronda da Taça dos Campeões Europeus.
Depois da goleada sofrida em Eindhoven, na primeira mão (5-0), Quinito deixou o comando técnico e Alfredo Cunha assumiu o lugar de forma interina, antes do regresso de Artur Jorge.
Para lá da remota possibilidade de surpreender os campeões europeus, o FC Porto venceu (2-0). Naquela noite, o jovem Domingos Paciência saltou do banco ao intervalo para a estreia nas provas europeias e assinou o primeiro golo da época. De cabeça, o avançado de 19 anos apontou o 2-0 ao minuto 82.
Ao Maisfutebol , o antigo ponta de lança – atual responsável pela ligação entre a presidência da FPF e a Seleção – recorda a estreia europeia, numa partida vivida a par de ícones como João Pinto, Fernando Gomes, Madjer e Rui Águas – meses antes derrotado pelo PSV na final, com as cores do Benfica.
«Não joguei em Eindhoven, na primeira mão, porque sofri um traumatismo craniano. Era difícil recuperar a eliminatória, mas tivemos muitas oportunidades e ganhámos 2-0. Entrei ao intervalo, mas já antes o presidente Pinto da Costa olhava para o Alfredo Murça, como quem dizia: “Dá uma oportunidade ao miúdo, ao Domingos”. O golo aconteceu após um cruzamento à direita, com um cabeceamento ao primeiro poste, com a bola a entrar no ângulo.»
«Foi o concretizar do sonho, tanto jogar na Champions como defrontar os campeões de cada país», começa por contar.
Aquele PSV era orientado pelo neerlandês Guus Hiddink – hoje com 79 anos – que guiou o emblema de Eindhoven à conquista de Champions, Taça Intercontinental, campeonato (cinco), Taça (quatro) e Supertaça. O experiente treinador também orientou Valência, Real Madrid, Chelsea, Coreia do Sul, Rússia, Turquia, Austrália e Países Baixos.
Na referida eliminatória contra o FC Porto, o PSV contou com os campeões europeus Hans van Breukelen, Ronaldo Koeman, Eric Gerets, Jan Heintze, Adick Koot, Gerald Vanenburg, Edvard Linskens, Soren Lerby, Anton Janssen, Wim Kieft e Hans Gillhaus. Uma constelação capaz de conter a reação do FC Porto na segunda mão.
«Foi um jogo ingrato, pelo resultado da primeira mão, mas tivemos muitas oportunidades de golo. A nossa equipa contava com campeões europeus de 1987 [como Zé Beto, Augusto Inácio, João Pinto, António Sousa, Jaime Pacheco, Fernando Gomes e Madjer] , além do Rui Águas, que também marcou contra o PSV», recorda Domingos.
Integrado na equipa principal desde os 18 anos, o jovem natural de Leça crescia junto dos ídolos.
«O Fernando Gomes começou por ser a minha referência. Mas em 1988/89 vivi a segunda época na equipa principal e acabei por me identificar com o Madjer, mais do que “noves” como Fernando Gomes, Nené, Jordão ou Manuel Fernandes. O Madjer é o melhor estrangeiro que já passou no FC Porto. Tínhamos caraterísticas em comum, como jogar e rematar com os dois pés, ou o drible.
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