António Braga: "O vinho está muito longe de ser apenas álcool"
Esta entrevista faz parte de uma série de conversas que o Dinheiro Vivo/DN teve com enólogos e produtores, em plena época de vindimas, sobre o estado da arte do setor e os desafios dos próximos anos.
A seca prolongada, na sequência das alterações climáticas, está a tornar-se estrutural no setor.
Que evidências têm de que o modelo produtivo atual continua a ser compatível com o novo regime climático? As alterações climáticas são, sem dúvida, um grande desafio para a agricultura em geral e para este setor em concreto.
No caso específico de 2026, tivemos um inverno e uma primavera com níveis de precipitação elevados, mas já sentimos, só até meados do ano, seis ondas de calor sucessivas, cada vez mais frequentes também fora da época de verão — o que é, por si só, revelador da intensidade que estes fenómenos têm vindo a assumir.
É inegável que estas alterações têm impacto.
Contudo, diria que na videira, tal como noutras culturas mediterrânicas como o olival e a amêndoa, temos plantas com uma elevada capacidade de adaptação a climas de características secas e de temperaturas elevadas.
É por isso que são as culturas dominantes da bacia do Mediterrâneo.
Neste contexto, temos dois grandes caminhos para dar resposta à intensidade e variabilidade dos fenómenos climáticos extremos: a diversidade genética, em que a variedade de castas nos obriga, e dá-nos a responsabilidade, de testarmos dentro do nosso património genético aquelas que têm a melhor capacidade para responder a estas situações; e as técnicas de terreno, devendo rever também algumas técnicas vitícolas nesse sentido.
Dessa forma, tentaremos dar a melhor resposta a estes desafios, encontrando nestas culturas exemplos de resiliência e de resistência.
E portanto, aproveitando a famosa frase popular, onde há vida há esperança, aproveito para dizer que onde há videira há esperança.
Que quebra de produção antecipam — se é que antecipam — este ano e até que ponto essa redução ameaça a viabilidade económica das explorações mais pequenas? Nas regiões onde estou presente, Alentejo, Lisboa e Douro, não antevejo um ano de quebra de produção quando comparado com a média dessas regiões.
Ciclos prolongados de quebra de produção obviamente acrescentam mais um fator de pressão a um setor já de si bastante pressionado.
Inflação, questões de consumo relacionadas com a saúde e a adaptação de perfis ao mercado terão um efeito negativo sobre o setor.
E aí há que perceber como podemos ser mais profissionais no terreno e como promover uma transferência de know-how entre os diferentes agentes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.