Rússia condena dirigente da oposição a 11 anos por criticar guerra
O tribunal de Pskov (noroeste da Rússia) considerou o antigo deputado e vice-presidente do Yabloko culpado de tentar desacreditar as Forças Armadas russas através do que classificou de publicações falsas nas redes sociais.
Numa reação à condenação, o Yabloko, o único partido político registado na Rússia a opor-se à guerra, afirmou que a decisão reflete "o colapso do sistema judicial russo contemporâneo".
Lev Shlosberg, 63 anos, que já se encontrava em prisão domiciliária desde junho de 2025, e já tinha sido alvo de outras condenações no passado, denunciou perante o tribunal o que considera ser uma "perseguição judicial" por ordem do Kremlin (presidência russa).
O dirigente já se tinha confrontado com as autoridades em 2014 ao denunciar que soldados russos estavam a combater em território ucraniano, o que foi então negado categoricamente pelo Presidente russo, Vladimir Putin.
O Yabloko, cujos dirigentes participam hoje, no Supremo Tribunal, na audiência de recurso contra a sua exclusão das eleições parlamentares de setembro, adiantou que irá recorrer da decisão.
No total, são já oito os membros do partido liberal que foram detidos, na sua maioria por criticarem a guerra, tal como fizeram em todos os conflitos em que a Rússia se envolveu desde a fundação do Yabloko, em 1993.
As autoridades russas lançaram há meses uma campanha contra o Yabloko, que atingiu o seu auge há uma semana, com a recusa do registo das suas listas federais para as eleições legislativas de 20 de setembro, devido a alegado financiamento estrangeiro e violação dos direitos de autor.
Hoje mesmo, decorre no Supremo Tribunal da Rússia, em Moscovo, a audiência para apreciar o recurso interposto pelo Yabloko contra a sua exclusão das eleições, tendo o partido denunciado que dezenas de apoiantes concentrados diante do edifício foram detidos pela polícia.
O juiz que presidiu à audiência da passada semana em que foi determinada a exclusão do Yabloko das eleições parlamentares, Viatcheslav Kirillov, é o mesmo magistrado que ilegalizou a organização de direitos humanos Memorial, galardoada com o Nobel da Paz em 2022.
A maioria dos opositores ao Presidente russo, Vladimir Putin, encontra-se presa, no exílio ou morta, e o Yabloko é o único partido liberal ainda em atividade na Rússia.
Esta formação tinha recebido, na perspetiva das próximas eleições legislativas, o apoio de várias figuras da oposição exiladas no estrangeiro, entre as quais Yulia Navalnaya, viúva do opositor Alexei Navalny, que morreu em 2024 na prisão.
Entre outras questões, o Yabloko exige a cessação imediata dos combates e o início célere de negociações de paz com a Ucrânia, além da libertação dos mais de 1.750 presos políticos.
O Yabloko é o único partido que, desde a queda da antiga União Soviética, se opôs a todas as guerras em que a Rússia esteve envolvida, na Chechénia (1994), na Síria (2015) ou na Ucrânia (2022).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - Mundo.