Canadá estuda com Bruxelas estatuto de "membro associado"
É uma "mudança tectónica", comenta um funcionário canadiano ao Wall Street Journal sobre o processo de aproximação do Canadá à União Europeia em detrimento dos Estados Unidos.
Segundo a edição deste domingo do jornal nova-iorquino , Otava e Bruxelas estão a estudar formas de tornar o país norte-americano num "membro associado" da UE.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro Mark Carney vai estar no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para ouvir o discurso sobre o estado da União de Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão, bem como para discursar Segundo as fontes citadas pelo WSJ, Carney tem falado regularmente com vários líderes da UE, em particular com o presidente francês Emmanuel Macron, o chanceler alemão Friedrich Merz, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e os líderes escandinavos sobre o estreitamento de relações.
Com Macron terá falado na hipótese dos canadianos viverem e trabalharem na UE sem visto.
Mas a proposta mais ampla em discussão poderia permitir que bens, serviços e trabalhadores canadianos em setores estratégicos se movessem com maior liberdade para a Europa.
Prova de que ambas as partes não estão apenas no plano dos discursos, o Canadá e a UE estão a considerar ligar os dois lados do Atlântico com cabos submarinos, investir em centros de dados conjuntos e infraestruturas de armazenamento em nuvem, novas redes de satélite e parcerias de investigação.
Carney também acena com o gás canadiano como uma alternativa aos fornecimentos de energia russos.
Outros campos para parcerias mais profundas são a defesa, o ensino universitário (inclusive com o intercâmbio de estudantes), e as exportações canadianas de minerais críticos e de fertilizantes.
Uma fonte canadiana resumiu o ponto da situação de Otava, consequência da deterioração das relações com os EUA desde 2025, quando Donald Trump chegou ao poder: "Isto é o Canadá a passar de se ver a si próprio como uma nação norte-americana para uma nação transatlântica.
Nós, canadianos, soamos como americanos, vestimo-nos como americanos, mas enquanto sociedade somos muito mais europeus", disse ao Wall Street Journal .
Este modelo de "membro associado" (algo parecido com o que Merz propôs para a Ucrânia há uns meses) teria de vir a ser criado.
E está longe de ter um caminho facilitado.
O acordo comercial entre o Canadá e o bloco dos 27 (CETA) foi concluído há mais de uma década, mas alguns estados-membros ainda não o ratificaram.
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