Pavlidis fez a águia voar (bem) mais alto que os gansos
No arranque da partida, a época do Benfica continuava num sobe e desce constante e uma vitória sobre o Casa Pia não mudava esse paradigma. Mas podia abrir as portas a um novo. Derrota frente ao St. Gallen na Suíça, vitória em casa sobre os mesmos suíços, vitória na Luz frente ao Hearts, empate na jornada inaugural da Liga com o Académico de Viseu — e novo empate no Tynecastle frente aos escoceses, suficiente para passar à próxima eliminatória de acesso à Liga Europa. Marco Silva sabia que a equipa ainda não tinha encontrado o ritmo que queria imprimir, e o jogo desta segunda-feira em Rio Maior frente ao Casa Pia era a primeira oportunidade real de o fazer na Primeira Liga, agora sim com adeptos presentes.
O contexto tinha mais uma camada de complexidade: o Benfica somava uma derrota e dois empates nos últimos três jogos frente ao Casa Pia. Um historial que não passou despercebido na conferência de imprensa de antevisão, ainda que Marco Silva tivesse tentado relativizá-lo. “Os resultados não foram todos positivos para nós, mas nós não temos de pensar nisso. Nós temos de pensar em como é que temos de reagir a um mau resultado. Nós não ganhámos na primeira jornada. Um clube grande como somos tem de reagir rapidamente e reagir é no jogo seguinte. E o jogo seguinte é com o Casa Pia” afirmou o técnico, que lamentava os “erros muito penalizadores” que tinham conduzido ao empate com o Académico, mas reconhecia que a equipa apresentara “muitos pontos positivos” que agora teria de materializar numa vitória. A mensagem para o futuro era clara. “Todos os jogos terão de ser de atenção obrigatória e vistos, como eu tenho vindo a falar, quase como finais”, alertou.
Do outro lado estava um Casa Pia que chegou a esta partida sem pontos, após a derrota na Madeira frente ao Marítimo, por 1-0, na primeira jornada. Filipe Coelho não tinha feito da situação do adversário a base da sua preparação. O treinador dos gansos reconheceu o valor do Benfica sem complexos — “ As fragilidades do Benfica são poucas . Não é por não terem conseguido vitórias nos últimos jogos que a nossa sensação vai mudar. É uma equipa fortíssima, com muitos argumentos, que gosta de apertar o adversário” —, mas também não escondeu onde via uma possível janela de oportunidade. “Pode haver ainda mais pressão, por ter começado o campeonato com um ponto. Quer chegar rapidamente ao topo e não poderá facilitar”, afirmou, acrescentando que o Casa Pia abordaria o jogo “sem premissas” ligadas ao historial recente entre as duas equipas.
Do lado encarnado, havia baixas a registar. Aursnes e Dedić — o último em negociações avançadas para sair para o Newcastle — não estavam disponíveis para o jogo de Rio Maior. Sem estas duas peças, Marco Silva escolhia Barrenechea — ao lado de Barreiro — para o centro do terreno e Alexander Bah para a ala direita, respetivamente. Na frente, Pavlidis continuava a ser dono da posição e Prestianni, depois do jogo que fez diante do Académico de Viseu, conseguiu, mais uma vez, o lugar à esquerda, que já foi de Schjelderup. Rafa e Sudakov fechavam as escolhas no capítulo ofensivo.
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