PSD: quando o "ruído menor" começa a soar a sirene
Há uma frase que vai perseguir Luís Montenegro até ao fim do seu mandato, seja ele curto ou longo.
Perante as críticas de Pedro Passos Coelho, o líder do PSD respondeu que o partido estava "imperturbável face a ruídos menores".
Foi em maio.
Quatro meses depois, o Barómetro DN/Aximage vem dizer-lhe, com a delicadeza de um camião de mudanças, que o ruído, afinal, não era assim tão menor: quase dois terços dos portugueses acham que o país ficaria melhor com um novo Governo.
Quando o eleitorado começa a falar a mesma língua dos críticos internos, já não se trata de ruído.
É a banda a afinar os instrumentos antes do funeral.
Convém dizer isto com toda a seriedade que o momento merece e nenhuma da complacência com que o PSD parece tratá-lo: um partido que geriu Portugal com a legitimidade de idas recentes às urnas está, ao fim de pouco mais de dois anos, a repetir em tempo recorde o desgaste que ao PS levou mais de uma legislatura inteira a acumular.
Há qualquer coisa de tragicamente eficiente nisso.
Se há um departamento em que a AD bateu mesmo as metas, foi no da rapidez com que delapidou o crédito de confiança.
E o desgaste não vem só das sondagens, vem de dentro.
Pedro Santana Lopes já fala num "circo permanente" a propósito do ministro Luís Neves, cujas explicações sobre os contratos da ConstruBarcelos convenceram muito pouca gente (nas sondagens de verão, quase três quartos dos inquiridos achavam-nas insuficientes).
Pedro Duarte, vice-presidente do partido, admite que o caso "tem de ser esclarecido", numa formulação que é ao mesmo tempo uma defesa tímida e uma acusação por omissão.
E o mais revelador: a mesma direção que foi ao ataque para proteger o ministro da Educação, Fernando Alexandre, quando este esteve em maus lençóis, ficou estranhamente calada quando foi a vez de Neves.
Um partido não precisa de dizer em comunicado que já desistiu de alguém, basta deixar de lhe dar colo publicamente.
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