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Guterres despede-se: "Poder da lei deve prevalecer sobre a lei do poder"

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Guterres despede-se: "Poder da lei deve prevalecer sobre a lei do poder"

A ntónio Guterres inaugurou hoje, pela última vez, o debate anual da Assembleia-geral da ONU, a cerca de três meses de deixar o cargo de secretário-geral.

O chefe das Nações Unidas refletiu sobre os eventos que levaram à criação da ONU, há cerca de 80 anos, argumentando que a organização foi criada como um ato de desafio.

"O desafio das pessoas que se recusam a entregar o futuro ao medo. O desafio contra a noção autodestrutiva de que a força faz o direito. O desafio dos países que sabem que os nossos futuros estão interligados. O desafio da esperança", disse.

"Levarei este espírito de resolução e determinação durante cada um dos 100 dias que me restam no cargo" , acrescentou num discurso após o qual foi aplaudido de pé.

Guterres assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017, tendo sido reconduzido para um segundo mandato de cinco anos, que termina no final deste ano.

Até à data, são sete os candidatos a suceder-lhe, com vários Estados-membros a defender que a próxima pessoa a liderar a ONU seja uma mulher, cenário que nunca ocorreu em 80 anos de história.

Muitos países esperam ainda que o próximo secretário-geral possa ajudar a organização a dissipar o momento de crise multifacetada que atravessa e a forjar uma nova direção.

Contudo, Guterres disse hoje que o compromisso com os valores e princípios das Nações Unidas não começa, nem termina, com um mandato.

"São maiores do que qualquer cargo e perduram para além de qualquer título. Portanto, no dia 01 de janeiro [de 2027], quando eu já não for secretário-geral, tenham a certeza disto: Onde quer que esteja, o que quer que esteja a fazer, continuarei a defender a convicção de que a paz é possível", assegurou.

"Que a dignidade humana é universal. Que o poder da lei deve prevalecer sobre a lei do poder. E que o nosso futuro comum vale a pena lutar. Continuarei a defender os valores da Carta das Nações Unidas. E jamais desistirei" , prometeu, sendo amplamente aplaudido pela Assembleia-Geral da ONU, repleta de chefes de Estado, de Governo e diplomatas.

Os últimos meses de Guterres no cargo decorrem num contexto mundial complexo, marcado por tensões geopolíticas e conflitos crescentes, pressão sobre o financiamento do desenvolvimento e da própria organização, rápidas mudanças tecnológicas e o aquecimento global, fatores que continuam a testar o sistema internacional.

Na semana passada, em resposta à agência Lusa, António Guterres reconheceu que, há 10 anos, não imaginaria que deixaria o cargo com um mundo tão deteriorado em matéria de paz, desigualdades e riscos existenciais, confirmando ainda que regressará a Portugal.

"Eu penso que há 10 anos ninguém poderia prever que nós chegássemos a uma situação tão deteriorada em relação a paz e segurança, com um nível de desigualdades tão dramático como aquele que encontramos e com duas situações que correspondem a riscos existenciais: no clima e na inteligência artificial", disse Guterres, numa conferência de imprensa em Nova Iorque.

"Seria difícil imaginar um quadro tão ameaçador como aquele que nós enfrentamos neste momento", acrescentou.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - Mundo.

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