Protestos em França podem prejudicar capacidade governativa do país, alertam analistas
França tem sido palco de vários protestos contra o aumento do custo de vida.
No passado fim-de-semana, as manifestações levam mais de 500 mil pessoas às ruas.
Estas manifestações já causaram alguns danos no património, mas também podem trazer implicações fiscais mais significativas e aumentar o risco de paralisação na formulação de políticas públicas.
Segundo a análise da Morningstar DBRS, desde as eleições de junho/julho de 2024, que a assembleia nacional francesa, que tem uma enorme fragmentação em três grandes blocos, viu o risco de instabilidade governamental aumentar.
As persistentes tensões sociais podem restringir ainda mais a capacidade do governo de implementar a sua agenda política, incluindo o orçamento para 2027, onde prevê um défice fiscal de 5% do PIB.
“Embora esperássemos que o governo fizesse algumas concessões orçamentais para garantir apoio parlamentar suficiente para o orçamento, um cenário social desafiador pode ampliar a dimensão dessas concessões, complicando o processo de consolidação fiscal”, refere Mehdi Fadli, senior vice president, sector lead, global sovereign ratings, Morningstar DBRS.
Aliadas a estas concessões, as tensões prolongadas podem manter, por mais tempo, o diferencial entre os rendimentos dos títulos públicos franceses e dos títulos públicos alemães nos níveis atuais.
“Custos de financiamento soberano mais elevados, especialmente se persistentes, representariam um obstáculo adicional aos esforços de consolidação fiscal de França”, aponta.
Em setembro, a agência de rating alterou a perspetiva do rating francês de ‘estável’ para ‘negativa’, numa avaliação que refletia o aumento do risco de o governo não conseguir enfrentar desequilíbrios fiscais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.