Acampada de Lisboa quer “greve geral ibérica” e articular ações com o Porto
Os participantes na acampada pela habitação em Lisboa, aprovaram este domingo (18 de outubro), em assembleia popular, apelar para a convocação de uma greve geral ibérica, em 11 de novembro, como admitida no Porto, e articular ações com o movimento da Invicta.
A assembleia popular, marcada para o final da tarde, na praça Dom Pedro IV, no Rossio, e após umas dezenas de intervenções, aprovou quase duas dezenas de propostas, entre as quais apelar às centrais sindicais para convocarem “uma greve geral ibérica”, em 11 de novembro , neste caso por unanimidade.
Os manifestantes, que já antes tinham aprovado uma proposta para que os sindicatos convoquem uma paralisação geral “em defesa da habitação” e “contra o custo de vida”, e entoando palavras de ordem “greve geral, greve geral, greve geral”, juntam-se assim aos participantes na acampada do Porto, que já tinham admitido estar a ser estudada uma greve geral que “pare a Península Ibérica por completo”.
Outra proposta aprovada, por unanimidade, defendeu “manter a acampada” no Rossio, e realizar assembleias populares “todos os dias” às 19:00, até que vejam satisfeitas as suas reivindicações, principalmente relacionadas com medidas em defesa da habitação.
Quase três horas de testemunhos dão força aos protestos pela habitação Marta, Neusa, Bruno e Lucas foram quatro das dezenas de vozes que partilharam este domingo (18) o seu testemunho numa assembleia popular pelo direito à habitação em Lisboa, onde se ouviram histórias diferentes, mas dificuldades e reivindicações comuns.
Durante quase três horas, a plataforma Casa para Viver abriu o microfone instalado na praça Dom Pedro IV, em Lisboa – onde estão montadas tendas desde sábado, num protesto pelo direito à habitação – a porta-vozes de associações da sociedade civil e cidadãos anónimos.
“ Fui vítima de violência doméstica, tenho duas rendas em atraso e uma ordem de despejo”, contou Marta, perante várias centenas de pessoas que aplaudiram a lisboeta.
Depois da separação, Marta passou a ter de pagar uma renda sozinha, mas o salário não chegou e as dívidas foram-se acumulando.
Já concorreu a programas de habitação social e municipal, mas foi sempre confrontada com algum obstáculo.
“Nunca consigo andar para a frente, porque a burocracia é exatamente isso”, lamentou.
A história de Neusa não é muito diferente.
Também vítima de violência doméstica, foi forçada a sair de casa com os dois filhos para escapar daquela relação e descreve o desafio quase impossível de arrendar uma casa para a família com apenas um salário.
Como ela e Marta, Neusa falou também em nome de todas as mulheres presas em relações violentas, cuja única saída é deixar as suas casas e sujeitarem-se a um mercado de arrendamento cada vez mais insustentável para o trabalhador português médio.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.