Qatar pede sistema de segurança regional para evitar novas guerras
"N o centro da situação perigosa a que assistimos está a ausência de um sistema regional de segurança coletiva", afirmou o emir, durante o discurso na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Al Thani recordou que o Qatar já tinha defendido anteriormente a criação de um mecanismo desta natureza, mas lamentou que a sua inexistência tenha permitido a eclosão de uma guerra motivada por "considerações alheias aos interesses dos países da região".
"Reiteramos este apelo depois de os acontecimentos recentes terem demonstrado a necessidade urgente do mesmo", declarou o emir, que defendeu um sistema que garanta a segurança e a soberania dos seis membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG): Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Omã.
Estes países, aliados de Washington, foram atingidos por ataques de retaliação iranianos contra infraestruturas militares e energéticas, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, no final de fevereiro.
Segundo Al Thani, a guerra provocou graves danos nas economias regionais e no comércio mundial de hidrocarbonetos, nomeadamente devido ao bloqueio do estreito de Ormuz, por onde transitava, antes do conflito, cerca de um quarto do comércio marítimo mundial de petróleo e gás.
O líder qatari denunciou ainda a transformação da economia global numa "ferramenta de pressão e negociação" entre as partes beligerantes.
Al Thani considerou que os acontecimentos podiam ter sido evitados e defendeu uma solução diplomática para o conflito, começando pela reabertura do estreito de Ormuz e pelo regresso de Washington e Teerão à mesa das negociações.
"A crise que enfrentamos atualmente não deveria surpreender ninguém. É o resultado acumulado de anos a adiar a gestão de crises através de soluções temporárias e políticas pouco realistas", declarou o emir.
No mesmo discurso, o emir do Qatar denunciou a guerra na Faixa de Gaza, iniciada em outubro de 2023, classificando a atuação de Israel como um "genocídio em todo o sentido da palavra".
"Não se pode falar de uma ordem internacional justa enquanto a Palestina continuar a ser um ponto cego nela", afirmou Al Thani.
"O que aconteceu em Gaza é um genocídio em todo o sentido da palavra e uma mancha de vergonha na consciência da humanidade como um todo", acrescentou o líder do Qatar, país que tem desempenhado um papel de mediação no conflito entre Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas.
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