“Um país desenvolvido não pode ter 50% das pessoas sem o básico de literacia financeira”
Annamaria Lusardi começou a dedicar-se à literacia financeira numa altura em que o tema estava longe de ter a importância que hoje lhe é reconhecida.
A economista italiana, que dirige o Initiative for Financial Decision-Making da Universidade de Stanford e estará em Portugal por ocasião das Conferências do Estoril, conversou com o Jornal Económico (JE) sobre a urgência de se repensar a forma como se olha para o tema, individual e coletivamente, e atuar nesse sentido.
“Um país desenvolvido não pode ter metade da população que não saiba o básico de finanças pessoais”, começou por alertar Lusardi.
E a premissa de um mundo que já não é o mesmo, que expõe sem reservas (ou mais a uns do que a outros) a população a riscos de várias naturezas, foi sendo recordada ao longo da meia hora de conversa: “O mundo mudou muito rapidamente.
O sistema de pensões mudou.
Agora somos responsáveis pela nossa segurança financeira.
Os países e os governos têm muitas dificuldades em lidar com pessoas que vivem por muito tempo”, analisou.
Para Annamaria Lusardi, que fez carreira nos Estados Unidos, as pessoas são obrigadas a “tomar decisões que são muito complexas”, nos dias de hoje.
“Os nossos pais estavam bem no passado, não precisavam de poupar nem investir muito.
Em muitos países, as pessoas estavam bem por ter uma casa, e o governo tratava das suas pensões”, recordou.
“O mundo mudou hoje, mas nós não estamos a acompanhar”.
Segundo a professora universitária, a literacia financeira deve começar a ser trabalhada “o mais cedo possível”.
E as escolas têm a “responsabilidade” de ajudar à adaptação “ao novo ambiente”.
“Temos de tomar decisões e não aprendemos na escola.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.