Pequim vai levantar proibição de viagem a fundadores de empresa de IA após anulação de venda à Meta
Pequim planeia levantar a proibição de viagem imposta aos fundadores da empresa de inteligência artificial (IA) Manus, após a empresa cancelar da sua aquisição de 2 mil milhões de dólares (1,84 mil milhões de euros) pela Meta, reportou o jornal Financial Times.
Segundo o jornal britânico, Xiao Hong, presidente executivo e cofundador da Manus, informou recentemente os colaboradores de que tenciona regressar em breve a Singapura, onde está sediada a plataforma.
Xiao e outros elementos da direção da Manus, incluindo o cientista-chefe Ji Yichao, foram impedidos de sair da China após terem sido intimados a deslocar-se a Pequim em março, devido a uma investigação iniciada pelas autoridades chinesas à venda da start-up à gigante tecnológica norte-americana Meta, com o objetivo de determinar se tinham sido violadas as regras de investimento.
O plano de anulação da venda necessitará da aprovação final dos reguladores liderados pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o organismo de planeamento estatal da China que em abril bloqueou a compra por parte da Meta.
O jornal reportou, citando fontes não identificadas, que os reguladores em Pequim garantiram à Manus que as suas operações comerciais não serão afetadas assim que o acordo de anulação for resolvido de forma a satisfazer todas as exigências.
No âmbito do acordo de anulação, a maioria dos antigos investidores da Manus - incluindo a Tencent, a ZhenFund e a empresa de equidade privada HSG -, juntamente com a equipa de gestão, irá recomprar a empresa à Meta com base na mesma avaliação de cerca de 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,84 mil milhões de euros), avançou o Financial Times (FT) no mês passado.
O fundo de capital de risco norte-americano Benchmark, bem como alguns investidores de menor dimensão, não participarão na recompra. As suas participações serão maioritariamente adquiridas pela Tencent, que se tornará o maior acionista da Manus.
Ainda assim, a Tencent terá apenas uma participação minoritária e a Manus continuará a operar de forma independente a partir de Singapura, em vez de ser integrada na tecnológica chinesa.
Apesar de ter estado sob investigação, a Manus continuou a atualizar ativamente a sua plataforma e prevê lançar a versão 2.0 pouco depois de o acordo de anulação estar concluído, revelou uma das fontes. Espera-se que a sua receita anual recorrente se mantenha acima dos 300 milhões de dólares (276 milhões de euros) após a separação da Meta.
Em abril, a China ordenou à Meta que anulasse a aquisição, alegando a violação das regras de investimento. Pouco tempo depois, a Meta iniciou a separação das operações e interrompeu a partilha de dados, como o FT noticiou anteriormente.
A ordem de anulação deste negócio serve como um aviso para outras empresas tecnológicas chinesas contra a utilização de Singapura como ponto de transição para eventuais vendas a compradores estrangeiros.
De modo a fechar esta lacuna legal, Pequim está também a considerar incluir a tecnologia de agentes de IA na sua próxima lista atualizada de controlo de exportações, informou o FT no mês passado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rtp.pt — o conteúdo pertence a RTP Notícias.