O dólar mantém o estatuto de refúgio
O regresso de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, marcou o início de um período de depreciação do dólar, perante a incerteza sobre a economia norte-americana ditada sobretudo pelas tarifas comerciais e estratégia de reindustrialização.
Na tomada de posse de Trump, o euro cotava a 1,03 dólares e, em julho, já estava perto dos 1,20 dólares.
Um dólar mais fraco favorece a competitividade via preço e encarece as importações, reduzindo o défice comercial e recuperando a capacidade industrial dos EUA.
Também os receios de desaceleração económica alimentaram as expectativas de descidas dos juros pela Fed, pressionando também o dólar.
Em sentido contrário, o ouro subiu de 2750 dólares por onça, em janeiro de 2025, para perto de 3500 dólares em julho, atingindo os 5500 dólares antes do início da guerra no Médio Oriente, em 28 de fevereiro de 2026.
A fraqueza do dólar explica apenas parte desta valorização.
A política errática de Trump aumentou a incerteza e reforçou a procura de ouro como refúgio, sobretudo pelos bancos centrais como o chinês, que procuraram diversificar as suas reservas e reduzir o risco de congelamento de ativos, como aconteceu à Rússia em 2022.
As expectativas de descida das taxas de juro também favoreceram o ouro, que não gera qualquer rendimento.
Todavia, o início da guerra no Médio Oriente, em 28 de fevereiro deste ano, alterou este cenário.
A incerteza de 2025 associada à política económica norte-americana passou a ser sobretudo geopolítica.
O dólar voltou a evidenciar o seu estatuto de principal moeda mundial, beneficiando da procura internacional de liquidez.
Em sentido contrário, o ouro foi penalizado pela subida das yields reais dos títulos de dívida norte-americanos.
O conflito no Médio Oriente ditou o regresso da crise energética à Europa, penalizada pela subida dos preços do petróleo e do gás natural e pelo bloqueio quase total do Estreito de Ormuz.
A economia europeia continua muito dependente da importação de combustíveis fósseis, enquanto os EUA passaram a ser autossuficientes há alguns anos e são atualmente exportadores líquidos de energia.
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