Ascensores de Lisboa: Segurança une autarcas, consequências dividem
N a véspera de se assinalar um ano desde o acidente que levou ao encerramento do Ascensor da Glória e à suspensão da operação dos restantes elevadores históricos para avaliação de segurança – Bica e Lavra - as juntas de freguesia diretamente afetadas reconhecem a importância da medida, mas alertam para as consequências que continuam a sentir-se nos bairros.
Para Filipa Veiga, presidente da Junta de Freguesia de Santo António (PSD), a principal marca deixada pelo encerramento é emocional. Moradora da zona há mais de 15 anos, recorda a ligação pessoal ao elevador da Glória e descreve a sua ausência como uma "mágoa muito grande".
"Faz parte da nossa história", afirmou, lembrando os momentos vividos junto ao elevador com a família, sobretudo com os filhos. Segundo a autarca, a tragédia que motivou a suspensão da circulação alterou a forma como os residentes olham para aquele espaço.
"É difícil olhar para o elevador sem ter sempre este pensamento da tragédia. Há um vazio porque já não temos o Amarelinho, como é óbvio, mas é acima de tudo uma mágoa porque foi uma tragédia e é difícil olhar para o elevador sem ter sempre este pensamento da tragédia, que vai durar algumas gerações, como se costuma dizer", recordou.
Apesar disso, considera que o impacto direto na mobilidade dos moradores foi relativamente reduzido, uma vez que o ascensor era utilizado principalmente por turistas. Como alternativa, destaca o reforço da carreira de bairro 19B, adaptada para servir as zonas abrangidas pelos ascensores da Glória e do Lavra, ambos pertencentes à sua freguesia.
A presidente de Santo António evita ainda críticas à demora na reabertura, defendendo que as decisões devem basear-se exclusivamente em critérios técnicos.
"Prefiro que me faça falta e não ter mais acidentes", afirmou, acrescentando: "se me dizem que é para aguardar, é para aguardarmos."
Já Carla Almeida, presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia (PS), reconhece igualmente que o acidente foi "um acontecimento muito grave" e que os equipamentos só devem voltar a funcionar quando estiverem reunidas todas as condições de segurança. No entanto, considera que o impacto na freguesia tem sido significativo e vai muito além da dimensão turística.
"O elevador da Glória e o elevador da Bica não são apenas elementos do património da cidade ou atrações turísticas. São meios de transporte utilizados diariamente por moradores, trabalhadores, comerciantes e visitantes", sublinhou.
Segundo a autarca, a situação é particularmente sensível na Bica, onde muitos residentes idosos e pessoas com mobilidade condicionada dependiam do ascensor para as deslocações do quotidiano.
"A sua ausência prolongada traduz-se em dificuldades reais de acessibilidade e autonomia", referiu.
A responsável admitiu que a Carris implementou soluções alternativas de transporte para minimizar os constrangimentos, mas afirmou que a principal preocupação atualmente prende-se com a ausência de informação sobre os prazos de reabertura.
"A questão hoje já não é apenas a segurança.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - País.