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A dívida tem três entradas

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A dívida tem três entradas

A dívida pública discute-se como um número e como uma culpa.

Os dois modos escondem a aritmética, que é simples e diz o que o debate raramente diz: se o rácio da dívida sobe ou desce depende de três entradas, e duas delas não estão nas mãos de nenhum governo da zona euro.

Feita duas vezes, uma com o juro que a dívida existente paga e outra com o juro que o mercado pede hoje, a mesma equação conta a cinco países, com dívidas entre 90% e 140% do PIB, duas histórias cada um: a de agora e a daquela para onde caminham.

A mais confortável das histórias de agora é a nossa.

É também a única que continua confortável na segunda conta.

A equação Chamemos d ao rácio da dívida no PIB, r à taxa de juro média que o Estado paga sobre o stock da dívida, g ao crescimento nominal da economia e s ao saldo primário, receitas menos despesas antes dos juros, em percentagem do PIB.

A variação anual do rácio é, com boa aproximação, O primeiro termo é automático.

Se o Estado paga sobre a dívida mais do que a economia cresce em termos nominais, o rácio sobe sozinho, e tanto mais depressa quanto maior for a dívida.

O segundo termo é política: um excedente primário puxa o rácio para baixo, um défice primário empurra-o para cima.

Pondo a variação a zero obtém-se o saldo primário que mantém o rácio parado: Com uma dívida de 100% do PIB, cada ponto em que a taxa de juro excede o crescimento exige um excedente primário de um ponto do PIB só para não andar para trás.

Cada ponto em que o crescimento excede a taxa de juro permite um défice primário de um ponto sem que o rácio suba.

O sinal de r − g é toda a história.

Evsey Domar escreveu-a em 1944, e Olivier Blanchard voltou a ela em 2019 para dizer que, com r abaixo de g , a dívida tem custos orçamentais pequenos.

Tinha razão na aritmética.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.

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