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A Casa Branca já nem sequer tenta explicar os números fictícios de inflação apresentados por Trump

CNN Portugal ·
A Casa Branca já nem sequer tenta explicar os números fictícios de inflação apresentados por Trump

Os números reais da inflação nos EUA não são favoráveis ao presidente Donald Trump e ao seu partido. Por isso, Trump arranjou uma espécie de solução: usar números falsos sobre a inflação.

Trump tem vindo a mentir sobre a inflação ao longo de toda a campanha para as eleições intercalares. Entre outras coisas, afirmou falsamente que "já travou a inflação" (que voltou a acelerar em setembro), que "os preços estão agora a descer bastante" (mas continuaram a subir) e que os preços estão agora "muito mais baixos" do que quando o ex-presidente Joe Biden deixou o cargo em janeiro de 2025 (quando subiram 5,4 % em média).

Mas, numa série de discursos em comícios e comentários à imprensa esta semana, Trump foi um passo além – utilizando números específicos, mas falsos, para fazer com que a inflação pareça melhor do que realmente é.

Num discurso proferido na terça-feira num comício no Alasca, Trump afirmou que a inflação foi de apenas "1,7% nos últimos três meses. Pensem nisso, 1,7%. Ele (Biden) teve inflação real; teve uma inflação real de 19%". Na quarta-feira, mais de 12 horas depois de os dados recém-divulgados do Índice de Preços ao Consumidor terem revelado uma taxa de inflação anual de 3,7% em setembro, Trump repetiu num discurso proferido num comício em Montana: "Herdámos a pior inflação da história, pensem nisso, e agora, nos últimos três meses, temos 1,7 — conseguimos reduzi-la para — ele (Biden) tinha 19%, o seu número real é 19%."

Os números de Trump são tão desconcertantes que é difícil perceber do que é que ele está propriamente a falar. A Casa Branca tem, até ao momento, ignorado os nossos pedidos de explicação.

Mas conseguimos pensar em três possibilidades para o que Trump possa estar a fazer aqui e nenhuma delas tornaria as suas afirmações precisas. Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, afirmou na quinta-feira que "o valor de 1,7% para a inflação não é corroborado pelos dados."

Há anos que Trump inventa números económicos fictícios que servem melhor os seus propósitos do que os números económicos reais. Por isso, é muito possível que esteja simplesmente a mentir sobre as taxas de inflação homólogas, que tendem a ser as mais frequentemente discutidas — exagerando descaradamente a taxa mais elevada registada sob a administração de Biden e reduzindo significativamente as taxas mais recentes deste ano.

Nos últimos três meses de 2026, para os quais existem dados disponíveis do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a taxa de inflação homóloga foi muito superior a "1,7%": 3,7% em setembro, 3,4% em agosto e 3,4% em julho. Ainda não estão disponíveis os dados de setembro para o índice de preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE), mas esse índice mostra que a taxa homóloga foi de 3,4% em agosto, 3,4% em julho e 3,5% em junho.

Esta não seria a primeira vez que o presidente dos EUA faz uma afirmação falsa sobre ter uma inflação de "1,7%" durante três meses. Em maio, afirmou falsamente que "pouco antes da guerra" com o Irão, "nos últimos três meses, a inflação situava-se nos 1,7%".

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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