EU Inc: o pequeno gesto burocrático que pode mudar a Europa
Há algumas semanas, num jantar com amigos, perguntei se alguém se lembrava de uma empresa europeia criada de raiz nas últimas décadas que rivalizasse com a Apple ou a Google.
Alguém arriscou a Spotify.
Outro a Skype, embora tenha sido vendida há muito tempo e boa parte da equipa estivesse sediada na Estónia.
A Inditex, dona da Zara, acabou por ser referida mas tem mais de 60 anos.
A pergunta não é nova.
Foi Mario Draghi quem a colocou à Europa em setembro de 2024, num relatório de 383 páginas que se tornou na grande referência económica do continente.
A resposta é desconfortável.
O talento existe e ideias não faltam.
O que tem falhado é mais aborrecido: tem a ver com a forma como, na Europa, criar e expandir uma empresa continua a ser um exercício de paciência burocrática.
Quem hoje quer fundar uma startup que opere fisicamente em Lisboa, Berlim e Amesterdão depara-se com sistemas jurídicos diferentes, cada um com o seu enquadramento fiscal e administrativo próprio.
Para um fundador de Faro ou de Santarém, isso quer dizer contratar advogados em vários países e abrir contas em sistemas paralelos.
A estrutura societária acaba muitas vezes duplicada (ou triplicada) à medida que a empresa cresce.
Joaquim Nascimento é CEO da Kapisci, Professor Auxiliar Convidado na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e Presidente da associação Algarve Evolution.
Licenciado em Economia no ISEG e MBA na Manchester Metropolitan University A 18 de março deste ano, a Comissão Europeia adoptou formalmente a proposta da chamada “EU Inc.”, peça central do que tem sido apelidado de “28º regime”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.