A Europa percebeu a pergunta?
O resultado das eleições da Saxónia-Anhalt, a 6 de setembro, ultrapassa em muito a política regional.
A AfD obteve 43,8% dos votos e 39 dos 83 lugares no Parlamento, ficando a três deputados da maioria absoluta.
Em 2021, tinha pouco mais de 20%.
Há duas formas erradas de olhar para este resultado.
A primeira é concluir que 44% dos eleitores se tornaram subitamente extremistas.
Há um descontentamento real com a imigração, com uma economia alemã que perdeu dinamismo, com o custo da energia, com a distância entre os cidadãos e as instituições e, sobretudo, com governos que prometem mudança e entregam continuidade.
O que acontece quando uma parte crescente da sociedade sente que a imigração avança mais depressa do que a capacidade de integração, que a coesão se fragiliza e que o país se transforma sem que exista verdadeiro debate político sobre esse ritmo e essas consequências? Uma democracia liberal precisa também de pertença, confiança e continuidade.
Se o centro político se recusa a discutir isto, outros ocuparão esse espaço.
Reconhecer estas preocupações não significa legitimar quem as instrumentaliza.
Esse é o segundo erro: normalizar a AfD, o partido instalado na franja mais radical e iliberal do espectro europeu.
A AfD nasceu em 2013 como partido de contestação ao euro.
Hoje, o seu próprio programa propõe alterar a arquitectura sobre a qual a integração europeia foi construída.
Na política externa, a AfD exige o levantamento imediato das sanções económicas contra a Rússia, defende que a Ucrânia permaneça neutral, fora da NATO e da União Europeia, e opõe-se à continuação do apoio militar alemão a Kiev.
Mas a radicalização não é apenas europeia ou geopolítica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.