CAP ameaça intensificar protestos se Governo não avançar com apoios para a agricultura
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) avisou esta segunda-feira, 12 de outubro, que vai intensificar os protestos se o Governo não adotar medidas de apoio para recuperar a competitividade do setor face a Espanha, após uma concentração junto à Assembleia da República (AR).
“Ou isto é um ponto de chegada porque o Governo reconhece a nossa razão e adota as medidas necessárias, ou então (...) teremos que partir daqui para outras manifestações com uma dimensão diferente” , afirmou o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, após ter entregado um documento com as reivindicações na residência oficial do primeiro-ministro.
Segundo o responsável, o chefe de gabinete de Luís Montenegro comprometeu-se a transmitir as reivindicações ao primeiro-ministro e a procurar acomodá-las dentro da flexibilidade que o Governo considera ter disponível.
A CAP exige um pacote de 140 milhões de euros para compensar o agravamento dos custos de produção, nomeadamente dos combustíveis e fertilizantes, e aproximar as condições de competitividade dos agricultores portugueses das dos espanhóis.
“O apoio que o Governo espanhol dá por litro [de gasóleo agrícola] é rigorosamente o dobro, são 20 cêntimos e nós em Portugal são 10 cêntimos” , afirmou Álvaro Mendonça e Moura, acrescentando que o apoio português aos fertilizantes é cerca de 30 vezes inferior ao concedido em Espanha.
“Nessas condições, não é possível competir” , afirmou, defendendo que a reivindicação não visa atribuir subsídios a agricultores, mas garantir condições para que a agricultura portuguesa possa competir nos mercados nacional e internacional.
Álvaro Mendonça e Moura defendeu ainda a necessidade de prever verbas no Orçamento do Estado para responder à crise dos custos de produção, cuja duração considera incerta.
Já esta segunda-feira o ministro da Agricultura disse que só em 2027 é que "haverá mais de 162 milhões de euros para apoio" aos agricultores para compensar a subida dos custos de produção e recuperar a competitividade face a Espanha.
Ministro da Agricultura diz que só em 2027 é que haverá 162 milhões para a competitividade Durante a iniciativa, representantes de associações agroflorestais deram conta das dificuldades sentidas em diferentes atividades.
Duarte Borges, da Associação de Fruticultores, Viticultores e Olivicultores do Planalto de Ansiães (AFUVOPA), afirmou que o aumento dos custos de produção, sem uma subida equivalente dos preços pagos ao produtor, está a comprometer a viabilidade económica das explorações e a sua capacidade de competir com Espanha.
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