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EUA, China, Europa e América Latina: como serão as relações do Brasil depois das eleições? Tudo pode mudar, mas "o frango não tem partido"

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EUA, China, Europa e América Latina: como serão as relações do Brasil depois das eleições? Tudo pode mudar, mas "o frango não tem partido"

O terceiro mandato de Lula da Silva ocorreu num mundo diferente daquele a que o presidente brasileiro estava acostumado. As guerras tornaram-se comuns, com conflitos relevantes na Ucrânia e no Médio Oriente que impactaram não apenas as populações locais, mas os mercados globais. O segundo mandato de Donald Trump também pareceu colocar a diplomacia mundial em ‘stand-by’, com ameaças constantes dos Estados Unidos contra países aliados.

Lula da Silva foi presidente do Brasil em dois mandatos consecutivos, entre 2003 e 2010. Nesse período, vivia-se "um momento de desgaste das lideranças tradicionais, foi o momento da invasão do Iraque, de desmoralização das Nações Unidas”, diz Antônio Carlos Lessa, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), à CNN Portugal. “Havia muita curiosidade por Lula, havia muito interesse, e o próprio Itamaraty [Ministério das Relações Exteriores brasileiro] reconhecia isso”.

O presidente era visto como um importante ativo diplomático nas negociações brasileiras, assim como em questões regionais. Em 2005, por exemplo, o jornal O Globo noticiou que George W. Bush, com quem o chefe de Estado brasileiro nutria uma boa relação, via em Lula da Silva alguém capaz de intermediar a tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela.

Agora, porém, o mundo mudou. Lessa ressalta que há uma "rivalidade hegemónica" instalada entre Estados Unidos e China, algo que era inexistente há algumas décadas. Além disso, o cenário internacional é marcado por guerras que envolvem algumas das principais potencias mundiais - EUA e Irão, Rússia e Ucrânia, por exemplo - e dificuldades diplomáticas, com Donald Trump a ameaçar militarmente países aliados como o Canadá e a Dinamarca.

Ao assumir o governo em 2023, Lula não entendeu as mudanças que estavam a ocorrer no cenário internacional. “Existem determinadas questões da política externa brasileira que foram construídas ou foram intensificadas há 20, 25 anos, e que, de alguma forma, esse terceiro governo Lula tentou recuperar”, explica Guilherme Casarões, professor do departamento de Política e Relações Internacionais da Florida International University (FIU), à CNN Portugal. “A grande diferença em relação ao que o governo Lula tentou construir há 20 anos é que grande parte desses sistemas ou dessas estratégias que o governo brasileiro usou já não tinham mais espaço”.

Entre as abordagens utilizadas pelo Itamaraty, destaca o docente, estão a "diversificação de parcerias", a "reforma no sistema multilateral" e "uma certa preocupação com a dimensão regional". Em 2024, por exemplo, o chefe de Estado propôs uma reforma abrangente na Carta das Nações Unidas, entendendo que a ONU está "esvaziada e paralisada”.

“Acredito que o governo Lula se manteve muito fiel àquilo que sempre defendeu, mas, ao mesmo tempo, foi uma política externa com muito menos resultados tangíveis”, explica o professor da FIU.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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