Saída de Luísa Meireles da Lusa já era discutida antes do verão
A vice-presidente da Lusa Ana Alves explicou hoje que a conversa sobre a saída da ex-diretora de informação Luísa Meireles vinha de antes do verão, quando se começou a falar sobre estratégia de médio e longo prazo.
"A conversa relativamente à saída da doutora Luísa Meireles da Lusa já vem de algum tempo, antes do verão já falávamos sobre isso, a partir do momento" em que se começou a falar sobre estratégia a seguir a médio e longo prazo, salientou a administradora, que falava na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, no âmbito de uma audição, pedida pelo Livre, PS e PCP sobre a cessação das funções da diretora de informação.
Ana Alves explicou ter-se tratado de "uma conversa que surgiu naturalmente entre o Conselho de Administração e a Direção de Informação".
Aliás, "essa questão surgia nas reuniões que tínhamos de forma natural, não de forma imposta", prosseguiu, acrescentando que foi "um pedido de proposta que a própria" Luísa Meireles fez.
Por sua vez, o presidente da Lusa disse que a administração quer transformar a Lusa e dar melhores condições e competências aos trabalhadores e manifestou-se preocupado com o futuro dos media em Portugal.
"Queremos continuar a dialogar e a mudar o que nós encetámos" e que isso "traga a confiança e paz social", acrescentou Joaquim Carreira.
"Estamos necessitados de reformular muito o nosso site, investir em inteligência artificial [IA]", disse, recordando que a agência de notícias espanhola Efe, que é concorrente da Lusa, tem meios superiores à agência noticiosa portuguesa.
Quanto aos jornalistas não poderem ser contactados pela administração, recordou que sempre falou com estes, nomeadamente para saber condições de trabalho e sublinhou que nunca pediu nada.
"Se eu não posso fazer isso, então não sei o que é que estou a fazer. Porque, na realidade, há aqui uma questão de humanização também. Se eu não posso falar com um jornalista para saber as condições de trabalho, se tem um problema, se precisa do monitor, ou se não foi concretizado um determinado investimento, acho que também é estranho", comentou.
Disse ainda que a Lusa quer valorizar o papel do delegado, razão pela qual foi feito um organigrama sobre isso.
"O delegado internacional tem uma função alargada e tem aqui necessidades, não é do ponto de vista comercial, é muitas mais vezes do ponto de vista logístico e administrativo", salientou, rejeitando qualquer ideia de função comercial.
Já o vice-presidente Luís Ferreira Lopes afastou a ideia de qualquer interferência da administração na parte editorial.
"Relativamente a algumas insinuações de ingerência ou de interferência editorial e reiterando aquilo que tinha dito inicialmente, houve sempre uma cooperação de bom nível entre o Conselho de Administração e a Direção de Informação, não houve nunca qualquer interferência", explicou.
As negociações para o Acordo de Empresa (AE) e salariais que não avançaram ou mesmo o "próprio debate acalorado" em torno dos Estatutos da Lusa são "variáveis também importantes e que devem ser tidas em conta", nomeadamente na criação de um certo clima de alegada desconfiança, disse.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - País.