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Direção da Judiciária autoriza inspetor acusado de crimes a integrar comissão anticorrupção em Timor

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Direção da Judiciária autoriza inspetor acusado de crimes a integrar comissão anticorrupção em Timor

Foi já com a investigação no terreno do mediático caso de doping que envolvia o presidente, o diretor desportivo, vários técnicos e ciclistas da então equipa W52-FC Porto, que os inspetores da Polícia Judiciária (PJ) do Porto receberam a denúncia de que um colega da Judiciária, também colocado na Diretoria do Norte e que teria até participado numa das operações de busca, estaria a ajudar um dos principais suspeitos, o presidente do clube de ciclismo, o empresário Adriano de Sousa ‘Quintanilha’, a livrar-se até de eventuais responsabilidades criminais.

O alerta foi lançado por um informador que contactou um dos três elementos da equipa da PJ do Porto que estava a investigar, desde 2020, a utilização de substâncias dopantes no ciclismo português. A denúncia foi considerada muito preocupante, apesar de os investigadores já terem, entretanto, avançado para as buscas da operação que ficou conhecida como Prova Limpa. Nessa altura, em 2022, a equipa W52 tinha ganhado, entre muitas outras provas, a Volta a Portugal nas edições de 2015 a 2017 e voltara a fazê-lo em 2019 e 2020. Em plena investigação judicial, a equipa voltaria a vencer em 2021 a Volta a Portugal e foi através de muitas horas de vigilâncias no terreno e milhares de horas de escutas telefónicas a suspeitos que a Judiciária conseguiu perceber a real extensão do esquema de doping que estava a ser usado para falsear a verdade desportiva.

Anos depois, no final de 2025, um coletivo de juízes do Tribunal de Penafiel não teve dúvidas em considerar que, “pelo menos desde o ano de 2020, os arguidos Adriano Sousa, Hugo Veloso e Nuno Ribeiro, na qualidade de dirigentes da equipa de ciclismo W52-FC Porto, formularam o propósito de aumentarem a rentabilidade dos seus ciclistas nas provas em que competissem, tudo com o intuito de obterem melhores resultados nas competições em que participavam, em benefício próprio e da equipa que dirigiam”.

As condenações dos três arguidos (houve recursos para o tribunal da Relação que ainda aguardam decisões, nomeadamente de Nuno Ribeiro e ‘Quintanilha’, que contestaram as penas de quase cinco anos de prisão) assentaram em vários testemunhos em tribunal – o antigo diretor desportivo acusou diretamente Adriano de Sousa de ser o mentor de todo o esquema – e também em provas relacionadas com a compra e consumo de substâncias proibidas, nomeadamente de Betametasona, de hormona de crescimento, de hormona luteinizante, de TB-500, de hormona IGF, de testosterona e de insulina, só para citar alguns exemplos. Compras e consumo de doping feitos com o auxílio discreto até de farmacêuticos também apanhados em escutas telefónicas montadas pela Judiciária e o Ministério Público (MP) do Porto.

Mas na altura das condenações em primeira instância não se ouviu no tribunal de Penafiel uma única palavra sobre o já referido episódio do informador que, anos antes, avisara a Judiciária de que Adriano de Sousa ‘Quintanilha’, o então presidente da Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo, que competia através da equipa W52-FC Porto, teria um amigo ou uma espécie de agente infiltrado na Judiciária do Porto.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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