Patrick Clancy quebra silêncio sobre morte dos filhos: "Falo com eles"
P atrick Clancy, o ex-marido de Lindsay Clancy, acusada de matar os três filhos, nos Estados Unidos, quebrou o silêncio sobre o caso e revelou que ainda fala com as crianças mortas há quase quatro anos.
"Ainda falo com eles", referiu Patrick Clancy, no excerto de uma entrevista à CBS News, que será divulgada na íntegra na noite de domingo.
Quando questionado sobre o que diz aos filhos, respondeu: "Ajudem-me. Sempre".
O crime ocorreu em 24 de janeiro de 2023, em Duxbury, Massachusetts, quando Lindsay Clancy, então com 32 anos, aproveitou o momento em que o marido, Patrick Clancy, saiu de casa a seu pedido para ir buscar jantar e medicação para a filha mais velha.
Durante os cerca de 55 minutos em que o marido esteve fora, Lindsay estrangulou os três filhos na cave da habitação. Depois, cortou os pulsos e o pescoço e saltou do segundo andar numa tentativa de colocar termo à própria vida.
Os dois filhos mais velhos morreram no próprio dia, enquanto o mais novo acabou por morrer dias depois no hospital. Já Lindsay sobreviveu à queda, mas sofreu lesões graves na coluna que a deixaram paraplégica.
A mulher começou a ser julgada em agosto e a acusação pretendia que fosse criminalmente acusada e condenada a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, sustentando que se tratou de um "crime deliberado e planeado".
Os procuradores acusavam a mulher de ter calculado o tempo necessário para o marido sair de casa e ter pesquisado, nas semanas e dias anteriores, sobre "métodos de suicídio", "sintomas de psicose" e "tratamento para sociopatas". Além disso, defendem que o salto da janela foi uma tentativa de encenar um suicídio para escapar à responsabilidade.
A defesa, por sua vez, argumentou que Lindsay Clancy não pode ser considerada criminalmente responsável devido a uma grave patologia mental.
O seu advogado, Kevin Reddington, alega que a mulher sofria de psicose pós-parto e perturbação bipolar não diagnosticada.
No início de setembro, a justiça norte-americana anulou o julgamento, depois de os jurados não terem chegado a um acordo sobre o veredicto.
"Declararei o júri bloqueado e declararei anulado o julgamento", disse o juiz William Sullivan, num caso que desencadeou um intenso debate sobre a saúde mental das mães, nomeadamente no pós-parto, nos Estados Unidos.
Para chegar a um veredicto, era necessária a unanimidade dos 12 jurados, mas o júri estava aparentemente dividido entre 11 jurados a favor da absolvição com base na falta de responsabilidade criminal de Lindsay Clancy e um contra este veredicto, segundo o estado das deliberações que foram conhecidas através das trocas entre o juiz, a defesa e a acusação.
A conclusão de um "júri bloqueado" ocorre quando o juiz tem de tomar nota de que, após vários dias de deliberações, os jurados não conseguem chegar a um acordo. Neste caso, o julgamento é cancelado e pode ser realizado mais tarde, com um novo júri.
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