Mark Carney defende um mercado financeiro integrado entre a UE e o Canadá
Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá – país que a União Europeia convidou para inaugurar uma nova estratégia do bloco em termos de relacionamento especial com outras potências comerciais – disse que um mercado de capitais integrado entre ambos num universo mais vasto de serviços financeiros comuns é um dos caminhos a explorar.
Argumentando que mercados de capitais integrados “ampliariam as opções e reduziriam os custos para os nossos cidadãos”, o novo sistema “melhoraria o acesso ao capital para as nossas empresas, mantendo a nossa resiliência financeira de liderança mundial”.
Neste momento, a União Europeia está a implementar uma reforma legislativa dos mercados de capitais com o objetivo de superar a fragmentação e a fuga de capitais para o mercado dos Estados Unidos, um enorme obstáculo tanto para as empresas da União como para os investidores europeus.
As reformas são um componente principal da agenda de competitividade do bloco, que foi inspirada pelo chamado ‘Relatório Draghi’.
Mark Carney enfatizou que o Canadá não pretende tornar-se um membro permanente da União e que a denominação final que definirá o relacionamento será determinada por Bruxelas.
“A presidente von der Leyen usou ambos os termos: aliança para o futuro e adesão associada.
A nomenclatura precisa, é uma questão para a Europa”, disse, para adiantar que “o que importa é a essência.
O que estamos realmente a construir juntos? Como podemos combinar nossas forças de uma forma que sirva melhor o nosso povo, proteja os nossos direitos fundamentais e crie prosperidade?” “O Canadá não está em posição de se tornar, nem quer tornar-se, um membro pleno da União Europeia.
Portanto, trata-se de um contexto diferente”, disse.
“É um contexto relevante para um país que partilha laços profundos, histórias e ambições que o Parlamento Europeu tem pelos europeus e o governo canadiano pelos canadianos.” Nesse quadro, a nova aliança entre, que poderá incluir novo o estatuto de ‘membro associado’, será “em última instância” submetida a votação no parlamento canadiano, afirmou Mark Carney.
“Tenho certeza de que teremos uma série de debates no parlamento e nas comissões relevantes.
E, por fim, haverá uma votação no parlamento para a estrutura final da aliança em que estamos a trabalhar”, disse, ao lado de Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu – que já esta quinta-feira disse que a Austrália e a Nova Zelândia também são potenciais candidatos a firmarem o estatuto de membro associado.
“Observo que houve bastante preparação para isto”, acrescentou Carney, dizendo que as discussões são o “início de um processo” que precisava de ser mais desenvolvido.
O próximo momento crucial será a cimeira União-Canadá, em Montreal, no final do mês de outubro próximo.
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