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Amnistia Internacional pede proteção de angolanos empurrados pela seca para a Namíbia

RTP Notícias ·
Amnistia Internacional pede proteção de angolanos empurrados pela seca para a Namíbia

As condições desumanas em que vivem milhares de angolanos empurrados pela seca para a Namíbia exigem «preocupação humanitária» e «solidariedade internacional», segundo o último balanço da Amnistia Internacional (AI) divulgado hoje.

No novo relatório sobre o fluxo migratório do sul de Angola para a vizinha Namíbia, a Amnistia Internacional denuncia «violações dos direitos humanos» daqueles que atravessam a fronteira devido às sucessivas secas.

Segundo o relatório, o sul de Angola, em particular, as províncias do Cunene, da Huíla e do Namibe, tem estado entre as regiões mais duramente atingidas pelas secas recorrentes, que têm sido agravadas pelo fenómeno El Niño.

A Amnistia Internacional explica que «juntamente com vulnerabilidades estruturais de longa data, estas condições têm comprometido os sistemas tradicionais de pastoreio e agricultura, minado a resiliência das pessoas, forçando-as a migrar para a Namíbia em busca de segurança, alimentos, água, trabalho e serviços essenciais».

«As mulheres e as crianças são afetadas de forma desproporcional, realizando frequentemente estas viagens sob grande risco», salienta o relatório.

A Amnistia Internacional explica que «embora os titulares de passaportes angolanos possam entrar na Namíbia sem visto, através de postos fronteiriços oficiais por períodos limitados, isso não lhes confere o direito ao trabalho, à residência de longa duração ou a um percurso de proteção específico».

Salienta que «muitas pessoas das comunidades fronteiriças afetadas pela seca também não possuem passaportes ou outra documentação e utilizam pontos de passagem informais».

Na Namíbia «têm poucas opções acessíveis para regularizar a sua permanência».

A verdadeira dimensão das deslocações «é desconhecida devido à ausência de sistemas abrangentes de acolhimento, registo ou recolha de dados», segundo a AI, que refere que «entre janeiro e julho de 2021, mais de 7.000 angolanos, principalmente mulheres», atravessaram a fronteira, movimento que se tem repetido em anos seguintes de seca grave.

Para o diretor regional da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral, Tigere Chagutah, «a proteção dos angolanos já marginalizados que são forçados a deslocar-se para a Namíbia em busca de meios de subsistência não é apenas uma preocupação humanitária».

«Trata-se de uma crise de direitos humanos que exige solidariedade internacional, incluindo proteção jurídica contra a repulsão», defende o responsável, citado num comunicado da organização.

Segundo o documento, a auscultação feita localmente, entre maio de 2024 e maio de 2026, concluiu que as mulheres e crianças angolanas deslocadas «enfrentam graves violações dos direitos humanos decorrentes da falta de vias de migração seguras e legais para as pessoas forçadas a atravessar as fronteiras devido a catástrofes naturais».

O relatório que documenta a situação tem como título «Quanto mais seco fica, mais tempo tem de caminhar: O impacto da deslocação induzida pela seca nos direitos humanos de mulheres e crianças angolanas na Namíbia".

Nos impactos registado «inclui-se o medo persistente de serem detidas, presas e deportadas, o que, por sua vez, influencia as suas decisões

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rtp.pt — o conteúdo pertence a RTP Notícias.

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