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Alguém recebeu uma pRENda de 55 milhões

Diário de Notícias ·

O controlo público dos sectores estratégicos é uma condição necessária, ainda que não suficiente, para a defesa do interesse nacional.

É condição necessária porque sem esse controlo público não é possível defender o interesse nacional.

Com empresas e sectores estratégicos entregues aos grupos económicos, e por estes controlados, o que prevalece é o seu interesse na acumulação de lucros e dividendos.

Os direitos e interesses das populações e dos consumidores, o desenvolvimento nacional, nunca são factor da equação.

Ao mesmo tempo, o controlo público não é condição suficiente para a defesa do interesse nacional.

É preciso que haja simultaneamente uma política desenvolvida a partir do papel e do contributo que cada uma dessas empresas e setores estratégicos pode dar para o desenvolvimento, o progresso, a satisfação de necessidades sociais.

Vem isto a propósito da decisão anunciada por Luís Montenegro de recuperação pelo Estado de uma participação accionista minoritária (13,7%) na REN - Rede Elétrica Nacional.

E vem a propósito porque nada disto faz parte da reflexão que conduziu o Governo a tomar esta decisão.

O Governo que toma agora esta decisão de recuperação da participação do Estado na REN é dirigido pelos mesmos partidos (PSD e CDS) que decidiram, em 2013, a sua privatização total, cumprindo o pacto assinado com a troika de braço dado com o PS.

Luís Montenegro era então líder parlamentar do PSD e apoiou a decisão do Governo liderado, à data, por Passos Coelho.

O facto de não ter havido, até hoje, nenhuma contabilização dos prejuízos causados ao país por aquela privatização é um primeiro indício – e forte – de que não é o interesse nacional que faz mover o Governo.

Por outro lado, o Governo que decide recuperar esta participação na REN é o mesmo que se prepara para impor privatizações na TAP, na SATA e no sector ferroviário.

Simultaneamente, as justificações dadas pelo Governo para a decisão foram caindo, uma a uma, derrotadas pelo confronto com a realidade e corroídas pelas contradições com as políticas do próprio Governo.

A justificação de que se trata de um activo financeiro de alta rentabilidade é contraditória com a sua consideração como activo estratégico.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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