Montenegro entrou na Zara e saiu com uma peça cara que nem precisava
Cresci numa família com negócios de pronto-a-vestir e nas milhares de horas que passei a arrumar, vigiar e depois a vender ‘trapos’ (como dizíamos lá em casa), aprendi a identificar com alguma precisão os diferentes perfis dos clientes que entravam nas lojas.
R egra geral, e para simplificar, havia três tipos de compradores.
Primeiro, aquele que vinha adquirir uma peça de substituição.
Tinha entornado mostarda ou vinho tinto numa camisa ou outro item de uso regular e era preciso colmatar a repentina escassez.
Isso ou a fiel camisa já tinha dado tanto que nem uma pequena costura mascarava a inadequação para uso em público, ou simplesmente tinha sido ultrapassada pela moda e tinha de ser trocada por uma versão mais fashion .
Em qualquer caso, esse cliente sabia o que vinha comprar – o que precisava – e, munido de experiência, já sabia quanto deveria desembolsar, portanto por norma saía da loja satisfeito.
Em segundo, o curioso.
Entra na loja sem grande intenção de comprar, acaba (por vezes com a nossa persuasão) por gostar muito de uma peça e acabar por levar, sabendo que não precisa mesmo do item, que não tem grande justificação, ou seja, uma compra por impulso.
Leva no saco algo para o qual não tem grande explicação e na cara um sorriso.
Por fim, o gabarolas, aquele que vem comprar algo para mostrar aos amigos, aos colegas, à família ou aos vizinhos que pode, que está em controlo e que sabe o que quer.
O problema é que muitas vezes essa ânsia de demonstração ultrapassa o discernimento na escolha do produto, acabando por adquirir um item vistoso e caro, mas que infelizmente nem fazia falta no roupeiro.
Qualquer tentativa pelo pobre funcionário da loja de questionar o motivo da compra ou sugerir uma alternativa acaba por ser em vão, resultando numa resposta do género “sei o que estou a fazer”.
Na reentrada do Estado no capital da REN, Luís Montenegro revelou ser este terceiro tipo de cliente.
Foi ter com o fundador da Zara (ou os seus representantes na Pontegadea Inversiones) e adquiriu 13,7% da empresa que gere as redes elétricas nacionais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.