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Avanço da direita na América do Sul coloca eleição brasileira sob foco regional

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Avanço da direita na América do Sul coloca eleição brasileira sob foco regional

Especialistas ouvidos pela “Agência Lusa” consideram que a eleição presidencial brasileira será um teste para a esquerda na América do Sul, num momento em que uma sequência de vitórias da direita e centro-direita alterou o mapa político regional.

Este cenário, afirmaram, deixa o Brasil como o último grande país sul-americano governado pela esquerda.

“Com Colômbia e Peru mudando de campo em junho, o Brasil passou a ser o último grande país sul-americano governado pela esquerda”, afirmou Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas e investigador do Carnegie Endowment.

Para Stuenkel, contudo, o atual avanço conservador no continente não representa necessariamente uma mudança permanente no posicionamento ideológico dos eleitores latino-americanos, uma vez que a região “se move como pêndulo” entre governos de esquerda e direita.

A mesma ressalva é feita pelo cientista político André Luiz Coelho, vice-diretor da Escola de Ciência Política da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), que considera prematuro falar numa verdadeira “onda azul” na América Latina.

Segundo Coelho, o que se observa é uma sucessão de vitórias da direita e centro-direita, mas também uma alternância crescente entre governos e oposição, com dificuldades para os Presidentes elegerem sucessores.

Stuenkel atribui parte desse movimento ao descontentamento provocado pelo custo de governar no período posterior à pandemia da covid-19, marcado por inflação, crescimento fraco e, sobretudo, pela criminalidade organizada.

“Onde a direita venceu, venceu falando de segurança”, afirmou o investigador, para quem o atual movimento poderá voltar a inverter-se caso os novos governos não consigam responder aos problemas que herdaram.

Nesse cenário, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, que concorre à reeleição, ocupa uma posição particular, por ser atualmente a principal referência da esquerda sul-americana, segundo os dois especialistas.

“Não há na esquerda da região outra figura com trânsito comparável”, afirmou Stuenkel, acrescentando que o Partido dos Trabalhadores (PT) não produziu um sucessor com dimensão semelhante à de Lula.

Coelho considera o Presidente brasileiro “o principal líder de esquerda na América Latina” e um dos principais líderes da esquerda no mundo, destacando o peso histórico de uma trajetória política iniciada no movimento sindical e ligada à construção do PT.

A direita brasileira, por outro lado, chega à disputa presidencial fragmentada entre diferentes candidaturas, embora os especialistas identifiquem convergências em temas como segurança pública e a reprodução de propostas desenvolvidas por governos conservadores da região.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.

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