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Como a Turquia está entre os "tubarões" na hora de contratar

Observador ·
Como a Turquia está entre os "tubarões" na hora de contratar

A primeira coisa que Mohamed Salah disse quando aterrou em Istambul para assinar pelo Trabzonspor foi que nunca tinha vivido nada igual. “Mostraram-me tanto amor. Nunca esperava esta receção. Estou aqui para ganhar”, declarou, ainda com o eco da multidão como pano de fundo. O egípcio que marcou 257 golos em 442 jogos pelo Liverpool, que venceu oito títulos com os reds – incluindo duas Premier, a Liga dos Campeões e o Mundial de Clubes – estava a falar do Trabzonspor, o quarto clube mais popular da Turquia. Não estava a sair da reforma para jogar na Superliga turca. Não vinha de uma liga periférica. Não aterrou na Arábia Saudita. Tinha 34 anos e escolheu a Turquia. Agora, Rafael Leão, que tinha meia Europa à sua volta a segui-lo, fez a mesma escolha que Salah, mas com 27 anos e ainda com títulos internacionais por conquistar.

A chegada de ambos os jogadores ao campeonato turco não é uma história isolada. É a ponta de um fio histórico que a Turquia tem vindo a construir há mais de uma década , com uma paciência e uma ambição que ninguém levou a sério até ser tarde demais.

A Superliga turca não surgiu de repente no mapa do futebol europeu. O fenómeno tem raízes que remontam aos anos 2000 , quando o Galatasaray venceu a Taça UEFA sob o comando de Fatih Terim, batendo o Arsenal na final. Foi o primeiro e único troféu europeu de um clube turco , mas ficou como prova de que o futebol do país podia sentar-se na mesma mesa que os grandes. Nas décadas seguintes, o crescimento económico da Turquia alimentou os orçamentos dos clubes, que foram gradualmente escalando a tabela dos maiores gastadores europeus. O processo foi lento, depois foi rápido, e agora é estrutural.

O Galatasaray foi o grande catalisador dessas primeiras chegadas. Gheorghe Hagi chegou em 1996 e ganhou tudo o que havia para ganhar. Roberto Carlos e Guti fizeram o mesmo caminho nos anos seguintes. Wesley Sneijder chegou em 2013, venceu o campeonato na primeira época e tornou-se ídolo num tempo recorde. Didier Drogba e Robin van Persie escolheram Istambul para os últimos anos das suas carreiras europeias, tal como Nicolas Anelka antes deles. Eram nomes que tinham ganho Ligas dos Campeões e Mundiais – e que escolheram a Turquia quando poderiam ter escolhido a reforma. O fenómeno não era recente nem abrupto. Era uma construção gradual, tijolo a tijolo, nome a nome, que foi tornando a Superliga num destino credível antes de a tornar num destino apetecível.

Durante anos, o modelo de negócio assentou sobretudo nos direitos televisivos domésticos e na receita dos sócios, tanto uns como os outros limitados pela dimensão da liga e pela depreciação da lira. A desvalorização da moeda foi, curiosamente, um problema e uma solução. Um problema porque os salários em euros ou dólares ficaram cada vez mais caros de suportar. Uma solução porque a Turquia se tornou, para jogadores vindos de mercados menores, um destino com salários competitivos em moeda forte. O grande salto qualitativo veio de outra direção: a entrada de capital estatal e semipúblico em alguns clubes , e a pressão competitiva exercida pela chegada da Arábia Saudita ao mercado europeu de transferências.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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